terça-feira, 3 de abril de 2018

"A melhor escolha" parte da jornada de três amigos para discutir questões espinhosas de guerra


Tanto o passado quanto o presente dos Estados Unidos da América é envolto em um histórico pautado de combates violentos com outras nações, ora a Guerra do Vietnã (1959 - 1975), a Guerra do Golfo (1990 - 1991) ou, mais recentemente, contra o Afeganistão (2001) e Iraque (2003 - 2011). Nessas décadas de conflitos armados, diversas gerações de soldados americanos e de outras nacionalidades viram pessoas serem mortas, massacradas e aqueles que tiveram a sorte de retornarem para casa, voltaram com histórias de superação ou assombrados por cenas traumáticas. Partindo dos dois últimos exemplos, o filme "A melhor escolha" (2017), do diretor Richard Linklater (Boyhood: Da infância a juventude; Antes do amanhecer), trilha através da amizade de três amigos uma série de reflexões sobre a Guerra do Vietnã e do Iraque. 

O ex-marinheiro Larry "Doc" Shepherd (Steve Carrell), após trinta anos da Guerra do Vietnã, visita inesperadamente dois amigos e ex-combatentes, Sal Nealon (Bryan Cranston) e Richard Mueller (Laurence Fishburdne), para pedir o favor de ajudá-lo a enterrar o único filho, morto em combate no Iraque. A triste missão coloca-os frente à frente novamente para relembrar o tempo passado em terras vietnamitas e também em curar certos traumas vivenciados pelo trio, que ainda os atormentam.

Escrito por Richard Linklater e Darryl Ponicsan, este road movie é repleto de diálogos provocadores sobre os combates, os motivos do governo americano de terem guerreado e, as escolhas de vida que cada um dos três fizeram após o término do recrutamento. Por mais que o tema seja cercado de tristeza, o sarcasmo é injetado nas conversas - em particular pelo personagem de Sal - equilibrando numa dosagem precisa o drama da narrativa.

Há uma química significativa entre os três atores que demonstram estar confortáveis nos papéis. O interprete Steve Carrell - conhecido por seus personagens cômicos - é o mais quieto e observador, transmitindo a maior carga  emocional. Numa via contrária, Bryan Cranston brilha com o jeito debochado, expressando o lado zombador, falante e revolucionário. Já para o ator Laurence Fishburne cabe a demonstração de cautela em buscar discernir o papel da religião  no meio de tantas atrocidades de  combates.

Dissecar traumas de guerra geralmente não é algo fácil, ainda mais, quando não se mostra nenhum campo de batalha ou tiroteio, como é o caso de "A melhor escolha". Com maestria o filme discute as engrenagens sociológicas, psicológicas e políticas de um conflito armado, bem como, manifesta com afabilidade o lado da esperança em meio a um cenário de total desamor: os laços afetivos e duradouros  da amizade.
CineBliss






Ficha técnica: 

A melhor escolha (Last flag flying)
Estados Unidos, 2017
Direção: Richard Linklater
Roteiro: Richard Linklater, Darryl Ponicsan
Produção: Ginger Sledge, John Sloss
Elenco: Bryan Cranston, Laurence Fishburne, Steve Carell

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