quinta-feira, 29 de março de 2018

"Madame" flerta com a comédia romântica para discutir as diferenças de classes sociais


A questão das diferenças de classes sociais costuma fazer parte de inúmeras narrativas cinematográficas, como é o caso de "Madame" (2017), da diretora Amanda Sthers, que estreia hoje nas principais salas de cinemas do país. A tal madame vivida por Toni Collette, é Anne, uma americana da alta sociedade, casada com Bob (Harvey Keitel) e, passando as férias em Paris. Ao organizar um jantar para 12 pessoas ilustres, ela forçosamente se vê obrigada a chamar a governanta da casa, Maria (Rossy de Palma) para se juntar à todos na mesa, pois inesperadamente recebe a visita do enteado. Como não aceita ter 13 convidados - número ímpar -, a única opção é contar com a figura decorativa da empregada. 

Todavia, a afetiva e simpática Maria conquista todos no jantar, em particular, o comerciante de arte britânico David (Michael Smiley), que logo a convida para diversos encontros sem saber sua verdadeira origem social e profissão. Sem demora, os dois acabam se apaixonando, causando uma certa ira por parte de Anne que não aceita a relação. Ao mesmo tempo, o romance gera o conflito em indagar se todos os sentimentos expressos pelos dois, irão sobrepujarem as barreiras das diferenças de classes sociais.

A narrativa é construída sob o viés dos opostos, seja através do ambiente cercado de luxo e mordomia dos afortunados versus os trabalhadores imigrantes, quanto na própria índole de Anne e Maria. A primeira, uma pessoa narcisista, controladora, frustrada e superficial, diverge da espontaneidade, do encanto e da humanização da governanta. Se a madame transmite o vazio interno da alta burguesia, Maria transborda vida para todos ao seu redor e acredita fervorosamente no amor.

Vale a pena observar o personagem do enteado Michael (Tim Fellingham), cuja função na narrativa é de debochar da sua própria classe social, uma vez que as personalidades desse meio demonstram um ar de superioridade, menosprezando pessoas fora de seus círculos sociais. Tanto que cabe a ele, dissecar esses comportamentos artificiais e apáticos por meio de seu trabalho como romancista.

"Madame", é uma comédia romântica agradável, pincelada com tons de provocação sobre a invisibilidade do trabalhador e a arrogância da classe social mais abastarda. Bem como, romantiza um outro ponto de vista em relação ao conto de fadas da Cinderela, só que nesse caso, a gata borralheira pode até acreditar no príncipe encantando, entretanto, seu amor só si própria fala mais alto.
CineBliss



Ficha técnica: 

Madame (Madame)
França, 2017
Direção: Amanda Sthers
Roteiro: Amanda Sthers

Produção: Alain Pancriazi, Didier Lupfer, Cyril Colbeau-Justin, Matthew Gleadhill
Elenco: Rossy de Palma, Toni Collette, Harvey Keitel

2 comentários:

  1. Gostei da crítica. Verei o filme.

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  2. Olá Prof. Lair!
    Obrigada pela visita!
    Espero que goste do filme.
    Abraços!

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