segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Uma injeção de alegria, poesia e otimismo através do "O fabuloso destino de Amélie Poulain"


Todos temos um papel a cumprir em nossa existência, uma jornada específica para cada um que envolve ouvir o coração para a realização dessa missão. Geralmente nos filmes o protagonista recebe um chamado para a aventura e durante as duas horas sua tarefa é enfrentar os desafios dessa escolha e no final ser transformado para receber a gratificação pela aceitação do chamado.

Em O fabuloso destino de Amélie Poulain sucesso do cinema francês, a heroína da trama Amélie Poulain (Audrey Tautou) recebe seu chamado quando descobre em seu apartamento o esconderijo de um homem que contém uma caixa com pequenos brinquedos de sua infância, a jovem decidi descobrir o paradeiro desse antigo morador e devolver sua caixa.

Quando vê que seu feito de devolver a relíquia para esse homem proporcionou uma emoção profunda, a personagem resolve ajudar outras pessoas ao seu redor, ela incorpora o altruísmo em sua vida e inicia uma jornada para ajudar os necessitados, assim como se vingar de pessoas consideradas malvadas para ela, esse comportamento fica tão marcante que ela mesma se imagina como Zorro.

Cada pessoa que ela ajuda também traz uma mensagem para a própria Amélie, seu vizinho pintor no papel de mentor que metaforicamente a compara com a menina do quadro que pinta, ou sua outra vizinha que lê as cartas de amor do falecido marido e pergunta a personagem se ela já foi amada daquela forma, a resposta da jovem é não, mas ali se nota a curiosidade em saber como é ser amada.

Essa resposta surge no meio do filme quando Amélie segue o som de uma linda música no metrô de Paris e se depara com um jovem abaixado que procura por pedaços de fotos 3x4, nesse contato com o amor à primeira vista, o coração da jovem se destaca com cores vermelhas vibrantes, parecendo uma imagem de animação. Esse encontro com Nino (Mathieu Kassovitz) desperta nela uma sensação nova e um outro chamado, dessa vez para a abertura ao amor.

Sua ajuda aos personagens bizarros que compõe seu ciclo social, faz com que Amélie se auto ajude para vivenciar esse amor que surge em sua vida, mesmo com os fatores de resistência a esse romance como medo e desconfiança, a jovem se permite contaminar por esse afeto e deixar de lado a solidão que até então havia sido predominante em sua existência. Interessante notar que Amélie e Nino se falam pouquíssimas vezes durante todo o filme.

O diretor Jean Pierre Jeunet (Delicatessen; Ladrões de sonhos e Alien: A ressurreição) utiliza com maestria da paleta de cores verde e vermelho em praticamente todas as cenas, como se dissesse para termos esperança no amor, pois o verde representa esperança e o vermelho amor. A forma como ele conduz a narrativa para mostrar os prazeres da vida na simplicidade, deixa uma marca no coração de cada telespectador em celebrar os pequenos eventos da nossa jornada existencial.

O bom humor, leveza, encantamento e alto astral são alguns dos adjetivos para descrever esse filme que conquistou milhares de fãs ao redor do mundo. A maneira como Amélie busca ajudar as pessoas é apaixonante e ao mesmo tempo de uma criatividade incrível, fazendo valer a pena as duas horas de filme e quem sabe uma inspiração para auxiliar alguém. 
CineBlissEK


Curiosidades:
  • As cores da fotografia que predomina no filme (vermelho, verde e amarelo) são inspirados nos quadros do artista brasileiro Juarez Machado;
  • O papel de Amélie Poulain inicialmente era da atriz Emily Watson que recusou o projeto por não falar francês;
  • O nome Amélie é inspirado na praça Amélie des Abesses, no bairro Les Abesses onde mora o diretor na vida real;

Ficha técnica:
 
O fabuloso destino de Amélie Poulain (Les fabuleux destín d' Amélie Poulain)
2001, França
Direção: Jean Pierre Jeunet
Roteiro: Guillaume Laurant, Jean-Pierre Jeunet
Produção: Claudie Ossard, Jean-Marc Deschamps
Fotografia: Bruno Delbonnel
Elenco: Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Isabele Nanty, Jamel Debbouze

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