domingo, 14 de setembro de 2014

A violência por si só como mero entretenimento é o tema para "Violência Gratuita"


Uma típica família de classe alta americana vai passar o final de semana em sua casa de campo ao som de música clássica, tudo na maior tranquilidade. Mas assim que surge os nomes dos atores na tela ao som de um rock pesado o público sente um certo estranhamento de que algo está errado, esse é o inicio do remake, na versão americana de "Violência Gratuita" (2007) do diretor Michael Haneke.

Logo que a família de Anna (Naomi Watts) chega na casa questionam o motivo de seus amigos agirem de uma forma estranha e não demora muito para saberem o por quê. Enquanto George (Tim Roth) e seu filho colocam o barco na água, Anna é interrompida na cozinha por um jovem que acabou de conhecer pedindo ovos emprestados, a cena começa com extrema educação e se torna angustiante quando os jovens demonstram o verdadeiro motivo de estarem na casa. Paul e Peter (Michael Pitt e Brady Corbet) iniciam um jogo com os moradores da casa, de quente ou frio, para depois seguirem com outras brincadeiras, enquanto que para eles as situações são engraçadas para a família equivale a atos cruéis de não saberem se ficarão vivos.

Conforme o filme se desenrola percebe que não há um motivo real para os atos de violência, mas apenas uma forma dos jovens brincarem com as famílias, como o próprio Peter diz à Anna quando ela pergunta por quê eles não a matam logo e ele diz "você não deve esquecer da importância do entretenimento".

Conduta interessante de se notar é que os dois rapazes a todo momento demonstram educação, mesmo quando fazem algum ato violento, logo eles procuram estabelecer a ordem com educação. Tanto que eles não invadem as casas, mas sim são convidados pelos moradores a entrarem.

Quando Anna participa de um dos jogos à procura do cachorro da família, o pública estranha o olhar de Paul para a câmera, como se o diretor Michael Haneke informasse para o telespectador que tudo não se passa de um entretenimento, nada é real, por mais que se pareça. Essa perspectiva também aparece na cena ao qual Paul procura pelo controle remoto para voltar alguns minutos e mudar o desfecho da história.

O diretor Michael Haneke busca criticar a violência do entretenimento ao mostrar que nem sempre há um motivo para crueldade, mas como doe no público cada cena violenta. Do início ao fim do filme a tensão psicológica toma conta do telespectador por ser uma violência tão real, típico do diretor que em quase todos os seus filmes trata do tema da violência como "A fita branca" (2009), "A professora de piano" (2001) ou "Amor"(2012). Essa violência crua e sem truque também é utilizada pelo diretor dinamarquês  Lars Von Trier, mas a diferença é que o último mostra a crueldade até o fim.

A primeira versão do filme foi lançado em 1997 em alemão com atores europeus pouco conhecidos, dez anos depois o diretor fez a refilmagem com outros atores de Hollywood mas com as mesmas cenas, tudo parecido ao original.
CineBlissEK



Curiosidades
  • É uma refilmagem do filme de mesmo nome, escrito e dirigido por Michael Haneke em 1997;
  • A produção usou os mesmos objetos de cena do filme original. A casa construída para o filme de 2007 tem as mesmas proporções da primeira;
  • As cores e os tons usados pelo diretor de arte Hinju Kim fazem diversas referências ao filme de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica;

Ficha Técnica

Violência Gratuita (Funny Games U.S.)
2007, USA
Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Produtores: Andro Steinborn, Chris Coen, Christian Baute, Hamish McAlpine
Fotografia: Darius Khondji
Elenco: Tim Roth, Naomi Watts, Michael Pitt, Brady Corbet

Nenhum comentário:

Postar um comentário