terça-feira, 29 de julho de 2014

A jornada da heroína com suas transformações no filme "Thelma e Louise"



A maioria dos road movies tem como personagens principais a figura do masculino, em "Thelma e Louise" (1991) do renomado diretor Ridley Scott, essa ideia se desfaz já no título, é o feminino que sai do mundo comum para se aventurar nas estradas dos EUA. Essas duas mulheres de meia idade decidem irem juntas para uma viagem de férias, mas o que era apenas para relaxar se torna em algo completamente inesperado.

As personagens Louise (Susan Sarandon) e Thelma (Geena Davis) que aparentemente são pessoas comuns, transformam a rotina em uma total aventura, de vidas regadas ao espaço privado para se jogarem ao espaço público. Mas nessa jornada elas descobrem características e potencialidades ao qual nem sabiam existir em cada uma delas, uma força que as leva a ir cada vez mais profundo nessa experiência. De simples dona de casa ou garçonete para fugitivas da polícia.

Logo no começo do filme percebemos algumas características marcantes de cada personagem, Louise a garçonete, demonstra ser responsável e independente pois mora sozinha e mantém o apartamento todo organizado. Já Thelma se vê como desorganizada, ansiosa, um pouco ingênua e medrosa com relação ao marido, tanto que para se aventurar com Louise numa simples viagem de férias ela não diz nada ao marido e apenas lhe escreve um bilhete informando sobre seu suposto desaparecimento. Mas o interessante são as mudanças dessas personagens, durante as duas horas o público percebe que Thelma de ingênua se torna a líder e parte dela o plano final para o desfecho do filme. Ou mesmo Louise com o cabelo todo arrumado no começo, se desfaz para uma mulher mais livre contudo com medo do passado.

Passado esse que surge novamente na vida dela, quando Thelma após dançar com um homem sofre uma tentativa de abuso sexual, esse fato leva as heroínas a aceitarem seus chamados a aventura, ou seja, atiram no homem e  fogem da cena do crime. Esse ato de defesa pessoal não se torna justificável para elas irem a polícia, pois acreditam que possam ser julgadas, dessa forma Louise prepara um plano de fugirem para o México sem terem que passar pelo estado do Texas. No começo elas queriam apenas sair de férias, mas a vida lhes mostrou que na verdade elas ansiavam pela liberdade.

A jornada dessas mulheres até o destino final se torna uma aventura de fuga da polícia, mas também uma alternativa a vida que viviam, pois o mundo pelo o qual pertenciam não é visto mais como algo desejável, mas sim a liberdade que elas encontraram nesse processo. A sensação de se ver livre é algo reforçado no filme o tempo todo, seja pelo carro conversível um "Thunderbird 1966" com o vento batendo nos cabelos, as paisagens belíssimas da estrada, as pessoas que encontram pelo caminho sem criarem vínculos ou até mesmo na cena final, escolher a liberdade de serem elas mesmos do que voltar para o mundo ao qual seriam trancafiadas.

É interessante notar as características das figuras masculinas do filme, o policial interpretado por Harvey Keitel que se simpatiza por elas demonstra uma sensibilidade, já o marido de Thelma fica com o papel de machista, o motorista do caminhão como um possível compulsivo sexual. Todos esses personagens mostram o lado positivo e negativo do masculino. E elas de uma certa forma hilária como justiceiras contra os homens que agem negativamente.

Para não deixar as cenas tão pesadas o diretor Ridley Scott opta por utilizar algumas vezes de diálogos engraçados para trazer um pouco de riso e quebrar a tensão. Além é claro da paisagem exuberante que a todo momento faz o telespectador suspirar. Também não se pode deixar de mencionar o papel do então estreante Brad Pitt que acaba sendo fundamental para o desenrolar da trama.

A maravilhosa trilha sonora produzida por Hans Zimmer, o fantástico entrosamento entre as atrizes Susan Sarandon e Geena Davis em conjunto com a direção de arte faz do filme uma ótima opção para o telespectador que busca desfrutar de uma aventura.

CineBlissEK



Curiosidades:

O filme foi inteiramente rodado em locação, utilizando as estradas de Los Angeles e Utah;
•Ganhou o Oscar em 1992 por Melhor Roteiro Original
•Indicações ao Oscar para Melhor Direção, Atrizes, Direção de Arte e Edição
•Direção Musical de Hans Zimmer


Ficha Técnica:

Thelma e Louise
1991, USA
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Adrian Biddle, Callie Khouri, Elizabeth McBride
Produção: Mimi Polk Gitlin, Ridley Scott

Fotografia: Adrian Biddle
Elenco: Susan Sarandon, Geena Davis, Harvey Keitel, Michael Madsen 
 

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