quinta-feira, 9 de agosto de 2018

"O Animal Cordial" disseca visceralmente embates de cunho social banhado com muito sangue


A diretora baiana Gabriela Amaral Almeida conhecida pelos curtas-metragens "Uma Primavera" (2010), "A mão que afaga" (2011) e "Estátua" (2014), lança hoje nos cinemas seu primeiro longa-metragem "O animal cordial"(2017), com a produção de Rodrigo Teixeira. Categorizado como slasher movie - subgêneros do terror - o filme se desenrola em um restaurante de classe média em São Paulo em apenas uma noite, quando é subitamente invadido por dois bandidos armados, no fim do expediente.

Dentro do estabelecimento encontra-se o pacato dono Inácio (Murilo Benício), a fiel garçonete Sara (Luciana Paes), o cozinheiro Djair (Irandhir Santos) e os clientes Amadeu (Ernani Moraes), Bruno (Jiddu Pinheiro) e Verônica (Camila Morgado). Diante da situação do assalto em que possivelmente se teria o roubo concretizado, a narrativa se direciona para o sentido oposto, uma vez que Inácio reage e decidi dar um rumo completamente diferente para cada um dos personagens. 

O restaurante um tanto quanto decadente, mas que finge ser chique, perpassa a sensação de claustrofobia com suas portas e janelas fechadas. Esse ambiente embriagado pela sensação de perigo, torna-se propício para diversos embates sociais tais como empregado versus patrão; homem versus mulher; ricos versus pobres, entre outros. Como por exemplo, logo no começo do filme quando Sara atende a mesa do casal Bruno e Verônica e a última trata a garçonete com desdém, ou, nas várias discussões entre Inácio e Djair.  

As performances dos intérpretes merece destaque pois transitam com maestria a ambiguidade dos personagens, cujo processo de desconstrução ao longo da narrativa permite que os desejos e violências internas venham à tona e o lado animalesco se sobressaia, em particular de Inácio e Sara. Os atores Murilo Benício e Luciana Paes, lograram prêmios referentes aos seus papéis, respectivamente, o de Melhor Ator no Festival do Rio 2017 e de Melhor Atriz no FantasPoa 2018.

Essa trágica fábula da violência na sociedade brasileira, tem no roteiro assinado pela própria Gabriela uma reflexão e provocação sobre até que ponto pode-se vangloriar em relação ao conceito de  civilização. Haja visto, que a força oposta desse conceito - a barbárie - está numa linha tênue nas engrenagens dos comportamentos das pessoas. No caso de "O animal cordial", esse embate visceral é efervescido com várias sequencias banhadas de muito sangue.
 

Para os admiradores do trabalho de Gabriela Amaral Almeida, o IMS (Instituto Moreira Salles) de São Paulo e Rio de Janeiro, terá uma programação especial neste final de semana apresentando os três curtas-metragens citados acima. Para conferir as datas e horários é só acessar o site. Já o segundo longa-metragem da diretora "A sombra do pai", foi selecionado pelo Sundance Institute para participar dos laboratórios de Roteiro, Direção e Música e Desenho de Som, assessorados por nada menos que Quentin Tarantino, Robert Redford, entre outros.
CineBliss




Ficha técnica: 

O animal cordial (O animal cordial)
Brasil, 2017
Direção: Gabriela Amaral Almeida
Roteiro: Gabriela Amaral Almeida
Produção: Rodrigo Teixeira
Fotografia: Barbara Alvarez 
Elenco: Murilo Benício, Luciana Paes, Irandhir Santos, Ernani Moraes, Jiddu Pinheiro, Camila Morgado, Humberto Carrão

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Baseado em uma história verídica, o filme "O nome da morte" é uma radiografia brutal da realidade brasileira


Quando o jornalista Klester Cavalcanti investigava o trabalho escravo na Amazônia, não imaginava que se depararia com a história verídica do pistoleiro Júlio Santana, responsável pela morte de 492 pessoas, conforme relatou durante a coletiva de imprensa do filme "O nome da morte". Após colher os depoimentos do matador profissional, Klester publicou o livro em 2006 e, doze anos depois, a biografia chega hoje às telas do cinema. Dirigido por Henrique Goldman (Jean Charles), a narrativa cinematográfica retrata a jornada desse homem devoto do catolicismo, pai de família atencioso e filho prestativo, porém, atormentando pelas mortes realizadas por encomenda.

O ator Marco Pigossi em seu primeiro trabalho no cinema, dá vida ao personagem de Júlio quando este é convidado pelo tio Cícero (André Mattos) para mudar-se da casa dos pais no sertão e ir morar na cidade com intuito de tornar-se um "policial". Júlio, oriundo de uma família pobre aceita o convite e, assim que se hospeda na casa do familiar defronta-se com uma outra realidade. Logo, ele começa a fazer parte de um grupo de matadores profissionais ao lado do tio. Na trajetória de matanças, Júlio conhece Maria (Fabiula Nascimento) por quem logo se apaixona e constitui família, sem revelar sua real profissão.

A montagem constrói uma narrativa com ritmo febril e tenso, por meio da utilização de várias sequencias de mortes a sangue frio - como a do feirante ou do membro dos direitos humanos - intercalando com a vida afetiva de Júlio. Concomitantemente, a fotografia de Azul Serra, com exuberantes planos gerais da paisagem do Jalapão - parque estadual localizado na região do Tocantins, onde foi gravado o filme - proporciona a sensação de quão ínfimo é o personagem atormentado entre os dois mundos distintos em que habita, a violência da profissão versus o homem familiar e religioso.

A fé cristã do personagem é enfatizado em várias cenas, tanto com ele dentro da igreja quanto rezando Ave-marias e Pai-Nossos após a concretização da morte ordenada de cada pessoa. O curioso também é a constante presença de imagens com água corrente, o que por meio de uma ótima simbólica possibilite deduzir uma busca de Júlio por purificação de seus pecados.

Durante a coletiva de imprensa, o ator Marco Pigossi relatou os desafios de interpretar Júlio, confessando o quão intenso e doloroso foi dar vida ao: "... vazio que esse cara tinha, ele não tinha prazer em matar, ele não é nenhum psicopata". Haja visto que para o intérprete, Júlio, faz parte desse meio social sem nenhuma educação ou perspectiva de vida, sendo mais uma vítima e massa de manobra.

O roteiro entrega de forma precisa uma radiografia de uma realidade brasileira brutal, provocando inúmeras reflexões sobre o valor de uma vida humana, as mazelas sociais incrustadas em cada canto do país, as mortes encomendadas que não acontecem apenas nos sertões, mas também nas grandes cidades, como o caso da vereadora carioca Mariela Franco, citada por Klester Cavalcanti durante a coletiva. Um filme pertinente para o momento atual da sociedade brasileira, com a aproximação das eleições e na prerrogativa de qual futuro se espera do Brasil.
CineBliss








Ficha técnica: 

O nome da morte (O nome da morte) 
Brasil, 2017
Direção: Henrique Goldman
Roteiro: George Moura
Produção: Rodrigo Letier
Fotografia: Azul Serra
Elenco: Marco Pigossi, Fabiula Nascimento, André Mattos, Tony Tornado, Matheus Nachtergaele

quinta-feira, 12 de julho de 2018

CineBliss faz uma lista com 10 filmes de países participantes da Copa do Mundo da Rússia


Se a Copa do Mundo da Rússia vem contagiando à todos ao redor do mundo, o universo cinematográfico não fica atrás com diversos filmes magníficos de países participantes que estrearam nas telonas aqui no Brasil. Mesmo com o evento esportivo prestes à dizer adeus, os longas-metragens podem ser vistos nos cinema ou em canais pagos e, para isso, o blog CineBliss fez uma seleção com os melhores títulos de alguns países cujos lançamentos ocorreram no primeiro semestre de 2018.  


Brasil
As boas maneiras (As boas maneiras)
Direção: Juliana Rojas, Marco Dutra
Roteiro: Juliana Rojas, Marco Dutra
Produção: Clément Duboin, Frédéric Corvez, Sara Silveira
2017 

O filme brasileiro "As boas maneiras" (2017), de Juliana Hojas e Marco Dutra, mistura suspense com terror ao retratar a jovem grávida Ana (Marjorie Estiano) quando contrata Clara (Isabél Zuaa), uma enfermeira da periferia de São Paulo para ajudá-la nos preparativos da chegada do bebê e como futura babá. Ana ao entrevistar Clara para o emprego, diz querer uma pessoa discreta que não faça fofocas de sua vida. Conforme a gravidez vai avançando, os motivos para tal recomendação vai se revelando. Durante uma noite de lua cheia, a grávida começa a ter comportamentos estranhos, fazendo com que afete diretamente a vida da enfermeira. O longa-metragem ganhador do prêmio de Melhor Filme no Festival do Rio 2017, aborda por meio do gênero do terror um retrato social do país com as diferenças de classes e raças, além da questão do feminino.





Rússia
Sem amor (Nelyubov)
Direção: Andrey Zvyagintsev
Roteiro: Andrey Zvyagintsev, Oleg Negin
Produção: Gleb Fetisov, Sergey Melkumov
2017

O filme indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro este ano, "Sem Amor", de Andrei Zvyagintsev (Leviatã) narra a inquietante jornada familiar do casal Zhenya (Maryana Spivak) e Boris (Aleksey Rozin) frente ao sumiço do filho de 12 anos. Em meio a um divórcio conturbado, ambos já estão com novos parceiros e querem o quanto antes iniciarem uma nova vida. No entanto, antes de rumarem para outros caminhos, os dois vão ter que lidar com o desaparecimento cujo desenrolar da busca marcará a vida de cada um dos envolvidos. 




França
120 batimentos por minuto (120 Battements par minute)
Direção: Robin Campillo
Roteiro: Philippe Mangeot, Robin Campillo
Produção: Hugues Charbonneau, Marie-Ange Luciani
2017

"120 batimentos por minuto", do diretor francês Robin Campillo, logrou o Grande Prêmio do Júri em Cannes o ano passado e foi representante da França na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Nessa emocionante narrativa situada em Paris, de 1990, o grupo de ativistas Act Up esforça-se em conscientizar a população sobre os métodos de prevenção e tratamento da AIDS. Em meio as acaloradas discussões dos envolvidos encontra-se o dedicado Sean (Nahuel Pérez Biscayart) que logo se apaixona pelo recém chegado Nathan (Arnaud Valois).



Inglaterra
O destino de uma nação (Darkest Hour)
Direção: Joe Wright
Roteiro: Anthony McCarten
Produção: Anthony McCarten, Douglas Urbanski, Eric Fellner, Lisa Bruce, Tim Bevan
2018

O ator britânico Gary Oldman, logrou o Oscar de Melhor Ator em 2018 com a performance de Winston Churchill no filme "O destino de uma nação"(2018), do diretor Joe Wright (Desejo e reparação). O longa-metragem, narra a posse de Churchill como primeiro ministro inglês e, os desafios do cargo perante um dos momentos mais cruciais da história no século XX: combater a invasão alemã na Europa. A narrativa é focada na liderança do primeiro ministro nos momentos de decisões importantes durante a II Guerra Mundial.





Alemanha
Em pedaços (Aus Dem Nichts)
Direção: Fatih Akin
Roteiro: Fatih Akin, Hark Bohm
Produção: Ann-Kristin Hofmann, Fatih Akin, Herman Weigel, Nurhan Sekerci-Porst
2017

O vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro em 2018, "Em pedaços" (2017), do alemão de ascendência turca Fatih Akin (Do outro lado; Soul Kitchen), retrata o drama inquietante do conflito da mãe e esposa Katia Sekerci (Diane Kruger), quando é surpreendida com a morte do marido e do filho de sete anos, por causa de uma bomba caseira deixada do prédio. Logo, a investigação policial descobre que a bomba fora abandonada propositalmente por um casal de alemães neonazistas. Atormentada pela busca por justiça, Katia vai até as últimas consequências para vingar-se da perda de seus amados.
A atriz Diane Kruger, que logrou o prêmio de Melhor Atriz em Cannes ano passado pelo filme, dilacera o âmago do sofrimento e do luto, entregando uma performance arrebatadora. O final do filme, surpreende a todos com um tema atual e um soco no estômago. Imperdível!
Leia mais em: Em pedaços



Espanha
A livraria (The Bookshop)
Direção: Isabel Coixet
Roteiro:  Isabel Coixet
Produção: Adolfo Blanco, Chris Curling, Jaume Banacolocha, Joan Bas
2017

O filme vencedor do prêmio Goya 2018 de Melhor Filme, "A livraria" (2017), da diretora Isabel Coixet (A vida secreta das palavras; Minha vida sem mim), é baseado no romance homônimo de Penelope Fitzgerald em que apresenta a trajetória da viúva Florence Green (Emily Mortimer), quando decide abrir uma livraria em um vilarejo, na cidade litorânea de Hardborough, na Inglaterra, em 1959.
Neste local, ela busca curar-se do luto e reconstruir sua vida com o estabelecimento. No entanto, algumas pessoas se tornam contrárias a sua presença, bem como outras tantas criam laços afetivos de amizade com sua pessoa. Uma história de superação que possivelmente contagiará o coração do público.
Leia mais em: A livraria




Suécia
The square - A arte da discórdia (The Square)
Direção: Ruben Östlund
Roteiro: Ruben Östlund
Produção:  Erik Hemmendorff, Philippe Bober
2017

A comédia dramática vencedora da Palma de Ouro em 2017 "The square - A arte da discórdia", do diretor Ruben Östlund, tem no gerente de museu Christian (Claus Bang) o narrador para as mais absurdas peripécias na busca por promover uma nova instalação no museu. Para isso, Christian contrata uma agência de relações públicas cujo trabalho acaba gerando diversos embaraços.




Japão
O terceiro assassinato (Sandome no Satsujin)
Direção: Hirokazu Koreeda
Roteiro: Hirokazu Koreeda
Produção: Hijiri Taguchi, Kaoru Matsuzaki
2017 

O renomado diretor japonês Hirokazu Korreda, conhecido por filmes como "Minha irmã mais nova" (2015) e "Pais e filhos" (2013), lançou recentemente sua mais nova obra "O terceiro assassinato" (2017), que faz parte da seleção oficial do Festival de Veneza 2017. Na narrativa, o prestigiado advogado Shigemori (Masaharu Fukuyama) é obrigado a defender o caso de suspeito de roubo e assassinato de Mikuma (Koji Yakusho). O réu que já cumpriu mais de 30 anos na cadeia por outros dois homicídios assumiu a culpa livremente, mesmo sabendo que isso pode levá-lo a pena de morte. Conforme Shigemori se aprofunda no caso e começa a ouvir as testemunhas, dúvidas surgem sobre a culpabilidade ou possível inocência de Mikuma. 




Coreia do Sul
O dia depois (Geu-Hu)
Direção: Hong Sang-soo
Roteiro: Hong Sang-soo
Produção: Kang Taeu
2017 

O novo filme do diretor sul-coreano Hong Sang-soo, "O dia depois"(2017), apresenta um drama centrado no personagem de Bongwan (Hae-hyo Know), quando retrata o momento confuso desse homem casado, crítico literário e dono de uma editora, que numa manhã é indagado pela esposa sobre os rumos do casamento. Nesse mesmo dia, a jovem Areum (Kim Min Hee) inicia seu trabalho na editora de Bongwan. Impulsionada em fazer um bom serviço, ela logo depara-se com uma situação inusitada ao ser confundida com a amante de seu patrão pela esposa. O embaraço no primeiro dia de serviço, faz com que a Areum questione trabalhar ou não nesse emprego, já que seu empregador aparenta estar indeciso sobre a vida.
Assim como em "Você e o seus"(2016), o diretor Hong Sang-soo em "O dia depois", trabalha com personagens indecisos sobre suas vidas amorosas e, como isso afeta as pessoas ao redor de um modo um tanto quanto irônico.




Argentina
Zama (Zama)
Direção: Lucrecia Martel
Roteiro: Lucrecia Martel
Produção: Benjamín Doménech, Matias Roveda, Santiago Gallelli, Vania Catani
2016

A consagrada cineasta argentina Lucrecia Martel lançou seu mais recente trabalho, "Zama" (2016), numa produção com a brasileira Vania Catani. Nessa narrativa histórica centrada na América do Sul, encontra-se o oficial da coroa espanhola Don Diego Zama (Daniel Giménez Cacho), na espera de uma autorização do Rei para transferir-se para um lugar melhor. Esse longo aguardo faz com que Zama se submeta forçosamente a todas as tarefas que lhe são incumbidas sem se opor. No entanto, logo observa que essa transferência talvez nunca acontece, o que o permite juntar-se à um grupo de soldados com missão de capturar um bandido.
Uma narrativa com ritmo lento e detalhista, que possibilita aprofundar-se na forma burocrática e violenta de colonização europeia empregada na América do Sul.


quinta-feira, 21 de junho de 2018

"O amante duplo" triunfa com suspense apimentando de erotismo


Estreia nesta quinta-feira (21), o filme francês "O amante duplo", do diretor François Ozon (Potiche - Esposa troféu; Jovem e Bela) que fez parte da competição oficial do Festival de Cannes, em 2017. Nesta enigmática narrativa contaminada de elementos hitchcockiano, o suspense é construído no universo das aparências e da ambiguidade que circundam os personagens principais, Chloé (Marina Vacht) e Paul (Jérémie Renier). 

Chloé, é uma mulher atormentada por traumas do passado e reprimida sexualmente. Ao buscar por tratamento conhece o psicólogo Paul e, logo, os dois se envolvem amorosamente. Conforme a relação avança, Chloé observa não saber nada sobre a vida do amante. Ela decidi investigar e, acaba descobrindo a existência de um irmão gêmeo de Paul, Louis. À partir dessa revelação, Chloé é tragada num labirinto de mistérios, incertezas e erotismo.

A construção da narrativa é tangenciada por questões do âmbito da psicanálise, de como funciona a mente da personagem Chloé, o que segundo o diretor permitiu escolhas mais sofisticadas na condução da direção: "O filme conta uma história essencialmente mental, e a ideia foi dirigir arquitetualmente, brincando com a simetria, reflexos e geometria". Esses reflexos são salientados na maioria das sequencias com a utilização de espelhos nos cenários e ângulos da câmera propositalmente direcionados para reforçar a ótica simbólica da dualidade. 

Esse domínio de forças duplas e distintas é marcante na personagem de Chloé, uma vez que, ao lado de Paul é reservada e acanhada, e, com Louis, expressa atrevimento e sedução. Os irmãos gêmeos navegam no mar das oposições, em razão de Paul manifestar cautela e serenidade e, o Louis, ousadia e frenesi. Até mesmo o vestuário é utilizado para reforçar o contraste entre os dois, o primeiro veste roupas claras e o segundo preto.

Dois elementos merecem destaque, a participação especial da atriz inglesa Jacqueline Bisset, como Mme Schenker, cuja cenas são poucas, mas para o desenvolvimento da narrativa é uma peça chave. E o outro, são as sequencias envolvendo o jogo de sedução entre os amantes com a nudez de seus corpos compondo a mise en scène, o que contempla o espectador para um erótico embate de poder de dois personagens despidos de suas máscaras. Haja visto, quando Chloé e Louis estão sentados na cadeira do consultório dele, frente a frente, sem roupa, observando um ao outro, é de tirar o fôlego.
CineBliss




Ficha técnica: 

O amante duplo (L' Amant Double) 
França, 2017
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon
Produção: Eric Altmayer, Nicolas Altmayer
Elenco: Marina Vacht, Jérémie Renier, Jacqueline Bisset

segunda-feira, 11 de junho de 2018

7.ª Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba | CineBliss confere dois filmes do realizador francês Jean Rouch, na Mostra Olhar Retrospectivo


O blog CineBliss teve o privilégio de conferir na 7.ª edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba o trabalho de dois diretores importantes para a história do cinema, o francês Jean Rouch (1917 - 2004) e o senegalês Djibril Diop Mambéty (1945 - 1998), na Mostra Olhar Retrospectivo. Os dois realizadores com formas distintas de fazer cinema, foram selecionados pelos programadores com a intenção de produzir um diálogo entre eles identificando possíveis semelhanças e revelando suas particularidades em criar cinema.

Jean Rouch, com seus mais de cinquenta anos de carreira produziu por volta de 100 títulos, a Mostra Olhar Retrospectivo selecionou um recorte de oito cópias restauradas lançadas no ano passado em homenagem ao centenário do diretor e, o CineBliss teve a oportunidade de assistir duas delas: “A pirâmide humana” (1961) e “Jaguar” (1967). 

O primeiro título, uma ficção ambientada em Abidjan Lyceum, na Costa do Marfim, expõe um grupo de estudantes - brancos e negros - em suas reflexões sobre relacionamentos inter raciais. Partindo da chegada da jovem estudante francesa Nadine, o filme apresenta discussões acaloradas destes estudantes que interpretam a si mesmos sobre o convívio entre si, a abertura para ter contato com o outro e a possibilidade de juntarem os dois grupos. Além do debate racial, há também as descobertas afetivas, a amizade e a aceitação do outro. O filme é um recorte tanto da visão dos colonizadores “nós não nos misturamos com eles”, quanto dos colonizados com seus sonhos e suas culturas.

Para quem ainda não assistiu, hoje (11) tem a última sessão no Cineplex 5, às 18h45.



Já em “Jaguar”, o diretor Jean Rouch parte da jornada de três jovens negros que decidem deixar a terra natal de Níger  e aventurar- se em Gana em busca de prosperidade. Narrado em estilo documental, a câmera acompanha de perto a trajetória dos três por um território selvagem embriagado de natureza e costumes locais até a chegada ao destino. Dali em diante, cada um dos jovens seguem diferentes caminhos em busca de suas realizações, sendo mostrados separadamente pela câmera de Rouch. O estilo road movie, conta com a narração em voz off  tanto do diretor quanto dos intérpretes que gravaram seus diálogos anos mais tarde.

Ainda dá tempo de conferir o documentário na sessão de quarta-feira (13), às 21h00, no Cineplex 4.


A 7.ª edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba acontece até o dia 14 de junho. Para maiores informações acesse: Olhar de Cinema . Não deixem de acompanhar tudo o que rola no Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba através das redes sociais: Instagram @macknight_travel_movie; Twitter @cineblissek; Facebook cineblissek.
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sexta-feira, 8 de junho de 2018

7.ª Ohar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba/ O empoderamento feminino presente na programação do evento


A 7.ª edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba apresentou na noite de ontem (07) em sua programação, dois títulos que destacam o empoderamento feminino, tanto na direção quanto nas histórias narradas. Irene Lusztig, uma diretora inglesa, com seus 43 anos de idade, trouxe para capital paranaense o documentário "Um abraço, na sororidade" (2018), com uma discussão sobre o feminismo da década de 1970 e, quarenta anos depois. Já a francesa Alice Guy-Blaché (1873 - 1968), considerada por muitos historiadores de cinema como a primeira cineasta que por décadas fora esquecida da história cinematográfica, deliciou o público presente com o "Programa de curtas Alice Guy-Blaché", com oito filmes de sua filmografia. 

"Um abraço, na sororidade", retrata por meio de entrevistas várias mulheres americanas de diferentes estados, idades, raças e classes sociais, lendo cartas da década de 1970 de outras mulheres que enviaram seus comentários, críticas ou elogios à revista feminista americana Ms. O conteúdo destas cartas variavam em diferentes questões tais como raça, abuso sexual, LGBT, divórcio, religião, porte de arma, aborto, feminismo, doenças cancerígenas, entre outros. Após a leitura desses registros, cada mulher relata os sentimentos sobre o assunto abordado, o que proporciona uma discussão mais profunda sobre as transformações ou não dos direitos das mulheres nestes quarenta anos que separam estas histórias. 


O "Programa de curtas Alice Guy-Blaché" com seus oito curtas Algie, O Minerador” (1912), “Um Tolo e Seu Dinheiro” (1912), “Harmonia Enlatada” (1912), Limite de Velocidade Matrimonial” (1913), “Filhotes Trocados” (1911), “O Grande Amor Não Tem Homem” (1911), “O Cair das Folhas” (1912) e “A Chegada dos Raios de Sol” (1913), apresentam o pioneirismo da cineasta Alice Guy-Blaché com o uso da câmera para contar uma história. Os temas de seus curtas também são vistos como inovadores para os padrões da época, uma vez que aborda o protagonismo feminismo, o estereótipo de comportamentos de gênero, entre outros e, em sua maioria nutridos por uma leveza indescritível.   


Para maiores informações acesse: Olhar de Cinema . Não deixem de acompanhar tudo o que rola no Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba através das redes sociais: Instagram @macknight_travel_movie; Twitter @cineblissek; Facebook cineblissek.
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quarta-feira, 6 de junho de 2018

CineBliss está presente na cobertura da 7ª edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba


O blog CineBliss tem o privilégio de participar pela primeira vez do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba, que acontece a partir de hoje e vai até o dia 14 de junho, na capital paranaense. Em sua sétima edição, o evento conta com nove Mostras divididas em: Olhar Retrospectivo, Olhares Clássicos, Foco, Exibições Especiais, Competitiva, Novos Olhares, Outros Olhares, Mirada Paranaense e Pequenos Olhares. 

Este ano o Festival conta com mais de 100 títulos, incluindo o filme de  abertura "Djon África" (2018), dos diretores Filipa Reis e João Miller Guerra, em uma coprodução entre Portugal, Brasil e Cabo Verde. E para sessão de encerramento o escolhido é o longa-metragem brasileiro "Meu nome é Daniel" (2018), do diretor Daniel Gonçalves. Para maiores informações acesse o site: Olha de Cinema

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