segunda-feira, 11 de junho de 2018

7.ª Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba | CineBliss confere dois filmes do realizador francês Jean Rouch, na Mostra Olhar Retrospectivo


O blog CineBliss teve o privilégio de conferir na 7.ª edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba o trabalho de dois diretores importantes para a história do cinema, o francês Jean Rouch (1917 - 2004) e o senegalês Djibril Diop Mambéty (1945 - 1998), na Mostra Olhar Retrospectivo. Os dois realizadores com formas distintas de fazer cinema, foram selecionados pelos programadores com a intenção de produzir um diálogo entre eles identificando possíveis semelhanças e revelando suas particularidades em criar cinema.

Jean Rouch, com seus mais de cinquenta anos de carreira produziu por volta de 100 títulos, a Mostra Olhar Retrospectivo selecionou um recorte de oito cópias restauradas lançadas no ano passado em homenagem ao centenário do diretor e, o CineBliss teve a oportunidade de assistir duas delas: “A pirâmide humana” (1961) e “Jaguar” (1967). 

O primeiro título, uma ficção ambientada em Abidjan Lyceum, na Costa do Marfim, expõe um grupo de estudantes - brancos e negros - em suas reflexões sobre relacionamentos inter raciais. Partindo da chegada da jovem estudante francesa Nadine, o filme apresenta discussões acaloradas destes estudantes que interpretam a si mesmos sobre o convívio entre si, a abertura para ter contato com o outro e a possibilidade de juntarem os dois grupos. Além do debate racial, há também as descobertas afetivas, a amizade e a aceitação do outro. O filme é um recorte tanto da visão dos colonizadores “nós não nos misturamos com eles”, quanto dos colonizados com seus sonhos e suas culturas.

Para quem ainda não assistiu, hoje (11) tem a última sessão no Cineplex 5, às 18h45.



Já em “Jaguar”, o diretor Jean Rouch parte da jornada de três jovens negros que decidem deixar a terra natal de Níger  e aventurar- se em Gana em busca de prosperidade. Narrado em estilo documental, a câmera acompanha de perto a trajetória dos três por um território selvagem embriagado de natureza e costumes locais até a chegada ao destino. Dali em diante, cada um dos jovens seguem diferentes caminhos em busca de suas realizações, sendo mostrados separadamente pela câmera de Rouch. O estilo road movie, conta com a narração em voz off  tanto do diretor quanto dos intérpretes que gravaram seus diálogos anos mais tarde.

Ainda dá tempo de conferir o documentário na sessão de quarta-feira (13), às 21h00, no Cineplex 4.


A 7.ª edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba acontece até o dia 14 de junho. Para maiores informações acesse: Olhar de Cinema . Não deixem de acompanhar tudo o que rola no Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba através das redes sociais: Instagram @macknight_travel_movie; Twitter @cineblissek; Facebook cineblissek.
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sexta-feira, 8 de junho de 2018

7.ª Ohar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba/ O empoderamento feminino presente na programação do evento


A 7.ª edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba apresentou na noite de ontem (07) em sua programação, dois títulos que destacam o empoderamento feminino, tanto na direção quanto nas histórias narradas. Irene Lusztig, uma diretora inglesa, com seus 43 anos de idade, trouxe para capital paranaense o documentário "Um abraço, na sororidade" (2018), com uma discussão sobre o feminismo da década de 1970 e, quarenta anos depois. Já a francesa Alice Guy-Blaché (1873 - 1968), considerada por muitos historiadores de cinema como a primeira cineasta que por décadas fora esquecida da história cinematográfica, deliciou o público presente com o "Programa de curtas Alice Guy-Blaché", com oito filmes de sua filmografia. 

"Um abraço, na sororidade", retrata por meio de entrevistas várias mulheres americanas de diferentes estados, idades, raças e classes sociais, lendo cartas da década de 1970 de outras mulheres que enviaram seus comentários, críticas ou elogios à revista feminista americana Ms. O conteúdo destas cartas variavam em diferentes questões tais como raça, abuso sexual, LGBT, divórcio, religião, porte de arma, aborto, feminismo, doenças cancerígenas, entre outros. Após a leitura desses registros, cada mulher relata os sentimentos sobre o assunto abordado, o que proporciona uma discussão mais profunda sobre as transformações ou não dos direitos das mulheres nestes quarenta anos que separam estas histórias. 


O "Programa de curtas Alice Guy-Blaché" com seus oito curtas Algie, O Minerador” (1912), “Um Tolo e Seu Dinheiro” (1912), “Harmonia Enlatada” (1912), Limite de Velocidade Matrimonial” (1913), “Filhotes Trocados” (1911), “O Grande Amor Não Tem Homem” (1911), “O Cair das Folhas” (1912) e “A Chegada dos Raios de Sol” (1913), apresentam o pioneirismo da cineasta Alice Guy-Blaché com o uso da câmera para contar uma história. Os temas de seus curtas também são vistos como inovadores para os padrões da época, uma vez que aborda o protagonismo feminismo, o estereótipo de comportamentos de gênero, entre outros e, em sua maioria nutridos por uma leveza indescritível.   


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quarta-feira, 6 de junho de 2018

CineBliss está presente na cobertura da 7ª edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba


O blog CineBliss tem o privilégio de participar pela primeira vez do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba, que acontece a partir de hoje e vai até o dia 14 de junho, na capital paranaense. Em sua sétima edição, o evento conta com nove Mostras divididas em: Olhar Retrospectivo, Olhares Clássicos, Foco, Exibições Especiais, Competitiva, Novos Olhares, Outros Olhares, Mirada Paranaense e Pequenos Olhares. 

Este ano o Festival conta com mais de 100 títulos, incluindo o filme de  abertura "Djon África" (2018), dos diretores Filipa Reis e João Miller Guerra, em uma coprodução entre Portugal, Brasil e Cabo Verde. E para sessão de encerramento o escolhido é o longa-metragem brasileiro "Meu nome é Daniel" (2018), do diretor Daniel Gonçalves. Para maiores informações acesse o site: Olha de Cinema

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terça-feira, 5 de junho de 2018

"Tully" disseca a maternidade sob uma ótica humanizada e sem glamour


Jason Reitman e Diablo Cody, depois de trabalharem juntos em dois filmes "Jovens Adultos" (2011) e "Juno" (2007), respectivamente como diretor e roteirista, trazem agora para as telas de cinema um outro olhar sobre a questão da responsabilidade com o longa-metragem "Tully" (2018). Estrelado pela atriz ganhadora do Oscar Charlize Theron, como Marlo, uma mãe de três filhos, a trama centrada no espaço privado - a casa familiar - expõe sem nenhum tipo de glamour o universo da maternidade por meio do esfacelamento das aparências e o mergulho na realidade de forma cru.

Se em "Jovens Adultos" a personagem principal Mavis Gary - também interpretada Charlize - se recusa a encarar o rito de passagem para vida adulta e, em "Juno", a adolescente Juno MacGuff (Ellen Page) opta por colocar o bebê para adoção esquivando-se de ser mãe prematuramente, em "Tully" a conversa é outra. A maternidade sob a ótica de Marlo é cercada de responsabilidades, múltiplas tarefas diárias e uma completa exaustão. Não é à toa que estas circunstâncias conduzam a personagem ao diagnóstico de depressão pós-parto.

O papel da figura paterna é deixado para o segundo plano, já que o marido Drew (Ron Livingston) passa o dia todo trabalhando e à noite antes de dormir joga videogame. Para tentar contornar a situação, o irmão de Marlo, Graig (Mark Duplass) decide presenteá-la com a babá Tully (Mackenzie Davis), para cuidar das crianças no período noturno. Um pouco hesitante com a ideia, Marlo aceita o presente e logo observa o quão transformador essa ajuda tem em sua vida, uma vez que a jovem é a fada madrinha para qualquer mãe, cuida do bebê, limpa a casa, cozinha cupcakes e ainda dá conselhos.

A atriz Charlize Theron além de sua mudança física, cujos tabloides dizem ter engordado mais de vinte quilos para viver a personagem, apresenta uma performance primorosa quando flerta no divisor de águas entre a aceitação de suas obrigações e a explosão de emoções perante o mundo caótico em que se encontra. 

O filme apresenta uma radiografia do atarefado universo feminino, cuja mulher não abre mão de nenhuma esfera de responsabilidade para passar a outra, ao contrário, ela acumula papéis e esse é o estopim para personagem Marlo e para outras tantas mães. Discutir o tema da depressão pós-parto, não é algo visto com muita frequência no cinema e, a forma como "Tully" retrata esse assunto com empatia e delicadeza, serve de recado para sociedade em buscar meios para debater e acolher os diversos tópicos sobre a maternidade. Uma trama necessária não somente para as mulheres, mas principalmente, para os homens.
CineBliss



Ficha técnica: 

Tully (Tully) 
Estados Unidos, 2018
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Diablo Cody
Produção: Aaron L. Gilbert, Beth Komo, Diablo Cody, Jason Reitman, Ron McLeod, A.J. Dix, Charlize Theron, Helen Estabrook, Mason Novick
Elenco: Charlize Theron, Mackenzie Davis, Ron Livingston, Mark Duplass

terça-feira, 22 de maio de 2018

"Aos teus olhos" expõe a velocidade e a dimensão do motim de 'caça às bruxas' na era das redes sociais


O novo filme da diretora brasileira Carolina Jabor, "Aos teus olhos" (2017), busca retratar o momento atual da sociedade por meio da polarização de opiniões e a viralização de informações nas redes sociais. Estrelado pelo ator Daniel de Oliveira como o professor de natação infantil Rubens, a narrativa se desenvolve neste personagem quando é acusado pelo aluno Alex (Luiz Felipe Mello) de ter passado dos limites na demonstração de afeto, ao dar-lhe um beijo no vestiário. 

Logo, o pai de Alex, Davi (Marco Ricca) e a mãe Marisa (Stella Rabello), tomam a frente da situação e agem de acordo com seus impulsos. Davi, um pouco mais cauteloso vai à polícia dar queixa, já Marisa, decide apelar para rede social incriminando o professor. A divulgação do fato em grupos de WhatsApp, faz com que outros pais também acusem o professor sem saber ao certo se ele é culpado ou não. 

O drama faz referência ao filme dinamarquês "A caça" (2012), de Thomas Vinterberg, com a mesma provocação de caça às bruxas por parte de um grupo de pessoas, sem necessariamente uma comprovação que legitime a acusação. No caso brasileiro, o processo de difamação do acusado toma proporções ainda maiores devido a velocidade da propagação de informações na era das redes sociais.

A maioria das cenas são ambientadas no clube de natação com a piscina como pano de fundo, o que possibilita uma certa fluidez no ritmo da narrativa e também complementa o destaque dado para as imagens de reflexo do personagem Rubens, uma radiografia da dualidade e complexidade deste.  "Aos teus olhos", chega num momento oportuno para refletir sobre a dimensão do compartilhamento de notícias e, principalmente, sobre como esse processo pode afetar em diversas esferas a vida de uma pessoa, independente de sua culpabilidade ou não.
CineBliss
*Visto no Festival do Rio 2017



Ficha técnica: 

Aos teus olhos (Aos teus olhos)
Brasil, 2017
Direção: Carolina Jabor
Roteiro: Lucas Paraizo
Produção: Carolina Jabor
Fotografia: Azul Serra
Montagem: Sergio Mekler
Elenco: Daniel de Oliveira, Marco Ricca, Luisa Arraes, Stella Rabello

quinta-feira, 10 de maio de 2018

"Esplendor" mergulha na subjetividade da imaginação de deficientes visuais


O filme japonês "Esplendor" (2017), que disputou à Palma de Ouro ano passado e logrou o Prêmio do Júri Ecumênico, estreia hoje nas principais salas de cinema do país. Dirigido pela japonesa Naomi Kawase (Sabor da Vida; O segredo das águas), a narrativa busca trabalhar o mais profundo aspecto da imaginação na arte cinematográfica através de personagens com deficiência visual, já que a paixão pelo cinema não reside nas imagens que aparecem no retângulo de pano branco, mas sim, no material real: o imaginário.

Para isso, a história é focada na jovem Misako (Ayame Misaki), cuja profissão é escrever versões de filmes para pessoas privadas de visão. Em uma das exibições, ela conhece Nakamori (Masatoshi Nagase), um fotógrafo famoso que está perdendo a visão lentamente. Num primeiro momento, os dois são contaminados por provocações um ao outro por discordarem do modo como são feitas as descrições por ela. Esses embates, acaba sendo questionado pela coordenadora quando fala para Misako: "Qual de vocês dois não tem imaginação". Porém, logo os dois são guiados em abrir-se para a imaginação e, consequentemente, são despertos para as surpresas da vida. 

A fotografia de "Esplendor" capta a beleza e o brilho da luz solar de uma forma que parece perfurar os corpos humanos. As imagens sensoriais e os dispositivos sonoros utilizados com certa intensidade no filme, afloram os sentidos do espectador. O roteiro por sua vez, contempla com cuidado e elegância essa imersão em um universo extremamente sensível, uma vez que, cada um dos personagens principais estão fechados na escuridão de suas próprias dores, sem permitirem a entrada de luz, de vida nova, de esperança.  

São várias sequencias que demonstram esse primor na construção da narrativa, como por exemplo, na cena em que Misako e Nakamori estão dentro do vagão do metrô, sentados um ao lado do outro sem trocarem uma palavra, no entanto, um evento permite a aproximação dos dois e suas mãos tocam e seguram uma a outra. Outro momento é no final, quando o grupo de deficientes visuais estão na sala de cinema mergulhados em suas subjetividades imaginando a história descrita por Misako e, o espectador não vê as imagens da tela do cinema, e sim, da expressão destes personagens. O filme todo é um exercício de reflexão e empatia.  Não deixem de conferir! 
CineBliss





Ficha técnica: 

Esplendor (光) 
2017, Japão/ França
Direção: Naomi Kawase
Roteiro: Naomi Kawase
Produção: Masa Sawada, Naoya Kinoshita, Yumiko Takebe
Elenco: Masatoshi Nagase, Ayame Misaki, Tatsuya Fuji 

quinta-feira, 3 de maio de 2018

"Ciganos da Ciambra" tem no rito de passagem de um adolescente, o retrato social dos excluídos na Calábria


Estreia hoje nas principais salas de cinema do país o filme italiano "Ciganos da Ciambra" (2017), do diretor e roteirista Jonas Carpignano, que logrou no ano passado em Cannes, o prêmio Europa Cinemas Label, na Quinzena de Realizadores. O drama produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira (Frances Ha; Me chame pelo seu nome), goza do neorrealismo italiano para narrar os rituais de passagem do adolescente de 14 anos, Pio (Pio Amato). Junto de sua família numerosa, ele vive na Ciambra, uma pequena comunidade romana na Calábria, cercado de miséria e violência.

Pio anseia em tornar-se adulto, uma vez que bebe, fuma e comete pequenos delitos, porém, ainda experimenta o lado infantil de brincar de bola ou sentar-se no colo da mãe. Quando seu irmão Cosimo (Damiano Amato) é preso, ele assume o posto de provedor da família, o que acarreta num fardo pesado para aguentar sozinho. Sua única ajuda é do amigo africano Ayiva (Koudous Seihon), cuja relação se desenvolve no molde de mentor para Pio. Esse despertar para responsabilidades de um adulto, coloca-o diante de escolhas cruciais para sua jornada. Tanto que a cena final, com o caminhar do jovem rumo à sua decisão é de uma beleza estética e narrativa visceral.  

O local da história como destacado no título original "A Ciambra" não deixa de ser um personagem, que mesmo de forma precária, acolhe essas pessoas excluídas da sociedade - imigrantes africanos, máfia italiana e ciganos. Essa mistura de culturas é exposta com frequência no decorrer do filme, como por exemplo, durante o jantar da família de Pio um dos integrantes fala: "comem comida de italianos e bebem como africanos".   

A fotografia com tomadas realistas da Ciambra e seu entorno, faz com que o ambiente miserável seja transpassado para às telas por meio de uma radiografia cru e pungente das pequenas mazelas humanas. As engrenagens desse cenário social desfavorável, é enaltecido com um trabalho de som eficaz que entrega a efervescência dessa conjuntura com muito barulho, ruídos de motocicletas, carros, música ou pessoas falando alto. Esse retrato social dos excluídos visto sob a ótica de Pio, provoca uma experiência inquietante e ao mesmo tempo comovente no espectador. Não deixem de conferir!

CineBliss
*Filme visto no Festival do Rio 2017. 




Ficha técnica: 

Ciganos da Ciambra (A Ciambra) 
Itália/França, 2017
Direção: Jonas Carpignano
Roteiro: Jonas Carpignano
Produção: Alessio Lazzreschi, Christoph Daniel, Gwyn Sannia, Jon Coplon, Rodrigo Teixeira, Ryan Zacarias
Fotografia: Tim Curtin
Montador: Affonso Gonçalves
Elenco: Pio Amato, Damiano Amato, Koudous Seihon