terça-feira, 15 de agosto de 2017

"Okja" sensibiliza através da sátira o consumo desenfreado de carnes


O Festival de Cannes esse ano, esteve imerso em discussões envolvendo o lançamento de filmes diretamente via streaming (Netflix) sem percorrer o caminho habitual de distribuição. Isso ocorreu, devido ao longa-metragem que concorreu à Palma de Ouro, "Okja" (2017), do diretor Bong Joon-ho (Expresso do amanhã; O hospedeiro). O longa-metragem original da Netflix, teve sua estreia no final do mês de junho, para todos os assinantes do canal, sem dar o ar da graça em qualquer sala de cinema. Esse novo formato de distribuição de filmes, vem gerando inúmeros debates no meio cinematográfico. 

"Okja", é o nome do porco criado em laboratório pela empresa Mirando, cujo nos primeiros meses de vida, é enviado para um produtor rural para desenvolver-se no meio natural. Assim como Okja, têm-se mais dezenas de porcos com destinos em diferentes partes do mundo. O motivo deve-se ao plano mirabolante da CEO, Lucy Mirando (Tilda Swinton), de sintetizar ciência com a natureza na criação de animais destinados ao abate. Para popularizar a ideia, Lucy elabora um concurso para eleger o maior porco no decorrer de dez anos. No fim desse período, o ganhador será apresentado por Johnny Wilcox (Jake Gyllenhaal), um famoso aventureiro da televisão.

Longe de todo burburinho, Okja vive nesses dez anos, tranquilamente na natureza ao lado de sua amiga humana, Mija (Ahn Seo-Hyun). Ao chegar o momento da partida do porco gigante para o concurso da companhia, a menina dominada pelo amor ao animal, luta contra todos para conseguir salvá-lo. Sem saber ao certo para onde ir, ou o que fazer, Mija, atravessa diversas provações para poupar o destino fatal de Okja. Ela encontra aliados ao lado do grupo de defesa dos animais, compostos por Jay (Paul Dano), Red (Lily Collins), K (Steven Yeun), Blond (Daniel Henshall) e Silver (Deron Bostisk)

Bong Joon-ho e Jon Ronson responsáveis pelo roteiro, constroem a narrativa sob dois viés, de um lado a amizade entre humanos e animais de um modo afetuoso, e do outro, burlesca ao retratar o universo corporativo e a sociedade em si. Também exploram didaticamente as diferenças do modo de vida da civilização versus a natureza. Como por exemplo, na forma de obter e preparar o alimento.

Vale destacar os personagens um tanto quanto bizarros de Lucy Mirando e Johnny Wilcox. A primeira, como a executiva psicopata evidenciando uma performance propositalmente artificial de Tilda Swinton, que está primorosa. Já o segundo, como representante do universo do entretenimento, apresenta o lado grotesco de todo o aparato publicitário do mercado capitalista.

Sem sombra de dúvida, o filme é um alarme sobre a produção desenfreada de carne animal para o consumo humano. Isso é algo gritante na cena dentro do frigorífico, com imagens de vários processos da produção. Essa sequencia, deixa de lado a ficção para dar espaço à denúncia documental. Ao lado disso, a versão animal do próprio homem com sua sede de lucratividade. "Okja", arranca do coração humano a sensibilidade para refletir a relação com os animais, de um modo satírico e comovente. 
CineBlissEK



Ficha técnica: 

Okja (Okja)
2017, Estados Unidos/ Coreia do Sul
Direção: Bong Joon-ho
Roteiro: Bong Joon-ho; Jon Ronson
Produção: Brad Pitt, Dooho Choi, Lewis Taewan Kim, Ted Sarandos
Elenco: Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal, Ahn Seo-Hyun, Paul Dano, Lily Collins, Steven Yeun,
Daniel Henshall, Deron Bostisk

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Com uma imaginação sem limite "Poesia sem fim" desperta o lado criativo da alma


Entrar no escurinho do cinema para conferir o novo filme do diretor chileno Alejandro Jodorowsky, "Poesia sem fim" (2016), tem-se a necessidade de abrir o coração, desprender-se de qualquer tipo de amarra racional e, simplesmente, permitir-se ser guiado na jornada onírica do jovem futuro poeta Alejandro (Adan Jodorowsky). A narrativa é baseado na vida do próprio diretor que utiliza da fantasia, do exagero e teatral, para recriar suas memórias.

Ambientando em Santiago do Chile, no período de 1940, Alejandro contraria as expectativas dos pais em ser um médico para seguir o sonho de tornar-se um poeta. Com uma das cenas mais divertidas e simbólicas, Alejandro corta laços com os familiares, golpeando com um machado a árvore da casa da avó, dizendo "família de merda". Esse evento é apenas a "entrada", para as outras tantas situações escrachadas vivenciadas pelo jovem. Em cada uma destas cenas, observa-se o trabalho primoroso de toda equipe para apresentar um vislumbre visual e poético. 

Alejandro junta-se a outros artistas para cultivar seu dom. Saí em busca de sua musa inspiradora no Café Iris, local com uma decoração singular, cercado de pessoas em estado de sonolência. Ali, depara-se com a extravagante poeta Stella Diaz (Pamela Flores), uma mulher repleta de peculiaridades com quem desenvolve um caso amoroso. Tem a oportunidade de conhecer o famoso poeta Nicanor Parra e tornar-se amigo de Enrique Lihn.

Com um colorido de encher os olhos de vida, a fotografia transporta o espectador para um universo onde não há fronteiras, apenas a fluidez da imaginação. Concomitantemente, o cenário alegórico proporciona ainda mais energia para esse mergulho poético, ao lado de personagens um tanto quanto circenses. Todo esse invólucro relembra algumas obras do italiano Federico Fellini. 

Vale destacar a presença do diretor como ele mesmo em alguns momentos da narrativa, sendo a consciência do jovem Alejandro com conselhos sobre a jornada da vida. "Poesia sem fim", é o segundo filme do montante de cinco estipulados por Alejandro Jodorowsky para transportar ao cinema suas memórias. O primeiro deles foi "A dança da realidade", de 2013. Sem sombra de dúvida, fica a expectativa do que a imaginação desse poeta, sonhador e cineasta, pode presentear o público nos próximos três filmes. 
CineBlissEK





Ficha técnica: 

Poesia sem fim (Poesía sin fin)
Chile/França, 2016
Direção: Alejandro Jodorowsky 
Roteiro: Alejandro Jodorowsky 
Produção: Alejandro Jodorowsky 
Fotografia: Christopher Doyle
Elenco: Adan Jodorowsky, Brontis Jodorowsky, Carolyn Carlson, Pamela Flores, Leandro Taub,

quinta-feira, 13 de julho de 2017

"Mulheres do século XX" pulsa com as transformações de uma época sob a ótica do feminino


Cada geração é envolvida por características específicas que enaltecem a época e, na maior parte das vezes, contradiz a anterior. Em "Mulheres do século XX"(2016), novo longa-metragem do diretor e roteirista Mike Mills (Toda forma de amor), as discussões sobre as transformações culturais e de revolução de um período, são baseados nas próprias experiências do diretor. 

O momento é 1979, na ensolarada Califórnia - especificamente Santa Barbara, onde mora Dorothea Fields (Annette Bening), uma mulher de 50 anos, moderna, complexa e mãe solteira. Ao constatar que seus esforços em preparar seu filho adolescente Jamie (Lucas Jade Zumann) para a sociedade, não estão sendo suficientes, ela decide pedir ajuda para duas pessoas nada convencionais: a fotógrafa Abbie (Greta Gerwing), apaixonada pelo movimento punk, que aluga um quarto na casa de Dorothea e, a jovem Julie (Elle Fanning), com seus primeiros contatos sexuais e em busca de auto-conhecimento. Ambas muito próximas de Jamie aceitam o desafio, ao mesmo tempo que lidam com seus próprios conflitos.

Guiado por Abbie e Julie, o adolescente depara-se com experiências fora do padrão patriarcal, desloca-se do aprendizado do homem viril - que conserta coisas, para seguir um novo caminho, o de valores até então considerados banais, como a afetividade, o entendimento do corpo feminino e suas zonas de prazeres. Esse contato com o feminino, alimenta em Jamie novos nutrientes para dialogar de uma maneira igualitária com a mãe. A única proximidade com o masculino - já que a figura paterna é ausente, está em William (Billy Crudup), outro locatário da pensão de Dorothea.

Cada um dos personagens retratados no desenrolar da narrativa, carregam suas feridas. No entanto, são trabalhadas de modo efervescente e leve, sem deixar-se dramatizar pelas situações. Feliz para Mike Mills, que desenvolve as histórias dos personagens de um modo sublime e divertido. Não apenas isso, os fatos históricos introduzidos, são sucintamente pincelados num ritmo coerente a trama. Vale destacar, as referências culturais da época, apontados com veemência em praticamente todo o filme: a pop art, o punk, a dança, a fotografia, o skate, entre outros.

A fotografia do longa-metragem assinado por Sean Porter, faz jus a esse belo retrato da época, com um colorido de vivacidade e, em certos momentos, uma mistura de sobreposições que proporciona uma certa velocidade aos eventos. Não se pode deixar de ressaltar, a nostálgica trilha sonora, com sucessos marcantes desta geração que respingou transformações até hoje vistas na sociedade.
CineBlissEK




Ficha técnica: 

Mulheres do século XX (20th Century Women)
2016, Estados Unidos
Direção: Mike Mills
Roteiro: Mike Mills
Produção: Anne Carey, Megan Ellison, Youree Henley
Fotografia: Sean Porter
Elenco: Annette Bening, Elle Fanning, Greta Gerwing, Billy Crudup, Lucas Jade Zumann

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A importância da semente plantada por "Mulher Maravilha" para futuras gerações


Com a estreia do filme solo da super-heroína da DC Comic, "Mulher Maravilha" (2017), milhares de teorias e discursos feministas repercutiram nas redes sociais. Dirigido pela americana Patty Jenkins (Monster - Desejo assassino) - que assumiu o comando após o afastamento de Michelle MacLaren, o longa-metragem apresenta uma referência de mulher que sabe exatamente o que quer, uma mulher que se posiciona, uma representação do feminino que não utiliza da sensualidade para atingir seus objetivos, e sim, da inteligência e força física. A atriz israelense Gal Gabot, abraça com carinho a personagem Diana Prince/Mulher Maravilha, presenteando o público com uma heroína jus ao momento atual da sociedade ocidental nas reivindicações de direitos iguais e inúmeras provações no dia a dia. 

Originária da ilha paradisíaca de Themyscira, Diana, ao lado de outras amazonas é treinada por sua tia Antiope (Robin Wright), para ser a maior guerreira. À chegada inesperada do capitão Steve Trevor (Chris Pine) - acidentalmente caí na ilha depois de seu avião ser abatido -, desperta na jovem seu chamado à aventura. Contrariando sua mãe, a rainha Hippolyta (Connie Nielsen), ela decidi juntar-se a Steve, para tentar impedir que a guerra tome proporções ainda mais devastadoras. Para isso, Diana acredita que precisa encontrar o deus da guerra Ares, combate-lo, para impedir sua influência sobre os humanos. Todavia, as atrocidades estão à cargo do General Erich Ludendorff (Danny Huston) e, a química Doctor Maru/Poison (Elena Anaya). 

Durante as duas horas e pouco de duração, observa-se uma guerreira que busca enfrentar o que for necessário para atingir seu objetivo, mesmo contrariando recomendações de outras pessoas. Sua esperança em trazer a paz no mundo novamente, é a sua força motriz.  Ao mesmo tempo, vê-se uma heroína ativa e sem apelo sexual, junto de outros homens, companheiros da empreitada. O personagem do capitão Steve Trevor, é de um homem consistente, destemido e convincente, cuja significância para jornada da Mulher Maravilha é crucial no sentido de complementaridade e não de dominação.

O roteiro situado na Primeira Guerra Mundial - a história de quadrinhos de 1941 tem-se a Segunda Guerra Mundial -, proporciona uma narrativa introdutória sobre a origem da Mulher Maravilha de um modo didático, com uma fotografia clara e viva nas cenas em Themyscira, para logo depois, o público ser arremessado na escuridão do conflito armado na Europa. Em Londres, Diana necessita a todo momento provar sua força e posição perante os homens que a cercam. Claro, que não poderia faltar uma parcela de humor, perante tanto horror, esse feito além de ser realizado pelo casal, também é visto na secretária de Steve, Etta Candy (Lucy Davis), que proporciona divertidas provocações em relação à sociedade patriarcal, além de dar menções do movimento das sufragistas.

Com um figurino libertador, que valoriza um vestuário para facilitar nas lutas e não para apelo sensual, Mulher Maravilha enfrenta seus adversários com a consistência e habilidade de uma heroína. Os diversos planos de slow motion, são uma outra forma de realçar a força física de Diana, sem em nenhum momento masculinizá-la.

O ponto fraco do filme se concentra no embate final, com um vilão pouco desenvolvido durante a narrativa. Por outro lado, a mensagem de amor e união entre homens e mulheres, deixa notório que só através desses dois elementos, o mundo pode sonhar com a esperança de tempos de paz. Dessa forma, a importância de milhares de meninas/jovens/mulheres/senhoras, em se verem finalmente representadas no universo dos super-heróis, é uma conquista que trará sementes poderosas para as futuras gerações.
CineBlissEK



Ficha Técnica: 

Mulher Maravilha (Wonder Woman)
Estados Unidos, 2017
Direção: Patty Jenkins
Roteiro: Zack Snyder, Allan Heinberg, Jason Fuchs
Produção: Charles Roven, Deborah Snyder, Zack Snyder
Fotografia: Matthew Jensen
Elenco: Gal Gabot, Chris Pine, Robin Wright, Connie Nielsen, David Trewlis, Danny Huston, Elena Anaya, Lucy Davis

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Pedido de desculpas do CineBlissEK pela ausência nos últimos três meses


Queridos(as) leitores e seguidores, o blog CineBlissEK vem por meio deste, pedir sinceras desculpas pela ausência nos últimos três meses. A autora que vos escreve, esteve envolta em alguns projetos durante esses meses que demandaram tempo e atenção. Dessa forma, a produção de conteúdo foi afetada, mas a jornada de filmes vistos continuou no mesmo ritmo. 

Também neste período, a autora teve a oportunidade de realizar uma viagem por um longo tempo, que se encerrou na capital do cinema, Los Angeles. Durante a estadia em Hollywood, a cinéfila que vos escreve, visitou dois estúdios: a Warner Bros e a Paramount Studios. Essas visitas, foram sublimes e impactantes para continuar na trajetória do universo cinematográfico. Uma experiência única para esta amante de cinema. 

Abaixo, publico algumas fotos desse momento mágico! E, destaco que em breve, o CineBlissEK volta com novos conteúdos e outras novidades! É só aguardar! 
Beijo grande a todos(as) cinéfilos de plantão!









quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

As apostas do CineBlissEK para 89ª cerimônia do Oscar


A cerimônia mais prestigiado do cinema mundial, Oscar 2017, ocorre no próximo domingo (26), em Los Angeles. Jimmy Kimmel, será pela primeira vez o apresentador do evento em um momento complexo da política americana, com o inicio do mandato de Donald Trump. O presidente,  recentemente tentou barrar a entrada de imigrantes de sete países - na maioria muçulmanos, e, insiste na construção do muro entre as fronteiras do Estados Unidos e México. A expectativa de discursos inflamados nunca esteve tão alta. 

No quesito arte cinematográfica, o filme "La la Land: Cantando estações" conta com maior número de indicações, somando 14 ao total. O longa-metragem, tem grandes chances de faturar como Melhor Filme, já que conquistou o Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia ou Musical. Os possíveis concorrentes dentre os oito restantes na disputa, estão "Moonlight: Sob a luz do luar" que logrou o Globo de Ouro de Melhor Filme Drama, ou, "Estrelas além do tempo" que conquistou o SAG de Melhor Elenco 2017. Os outros filmes na competição são: "Manchester à beira-mar", "A qualquer custo", "A chegada", "Até o último homem", "Um limite entre nós" e "Lion: Uma jornada para casa". A torcida do CineBlissEK, vai para o polêmico e urgente drama, "Moonlight: Sob a luz do luar".

O jovem diretor de 32 anos, Damien Chazalle de "La la land: Cantando estações", tem grandes chances de faturar o prêmio de Melhor Diretor, pois logrou o Globo de Ouro na mesma categoria, mas está numa disputa acirrada com Barry Jenkins por "Moonlight: Sob a luz do luar". Os demais diretores são: Mel Gibson com "Até o último homem", Kenneth Lonergan de "Manchester à beira-mar" e Dennis Villeneuve por "A chegada". 

As interpretações estão em um nível bem equilibrado, uma vez que Casey Affeck de "Manchester à beira-mar" logrou o Globo de Outro de Melhor Ator Drama, Ryan Gosling por "La la land: Cantando estações" faturou o Globo de Ouro de Melhor Ator Comédia ou Musical e,  Denzel Washington com "Um limite entre nós" conquistou o SAG de Melhor Ator. A torcida do CineBlissEK, é para o ator dinamarquês-americano Viggo Mortensen, com "Capitão Fantástico". Para completar a lista dos indicados está, Andrew Garfield por "Até o último homem". 

Na categoria feminina, há grandes chances de Emma Stone de "La la land: Cantando estações" faturar como Melhor Atriz, pois já obteve o Globo de Ouro de Melhor Atriz Comédia ou Musical e, o SAG de Melhor Atriz. Sua concorrente de peso, é a francesa Isabelle Huppert por "Elle", que merecidamente levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz Drama e, tem o maior apoio do blog CineBlissEK. As demais atrizes são: Natalie Portman com "Jackie", Meryl Streep por "Florence: Quem é essa mulher?" e Ruth Negga de "Loving". 

Para completar a lista de performances, o ator coadjuvante Mahearshala Ali de "Moolinght: Sob a luz do luar", provavelmente leve para casa o Oscar de Melhor Ator, já que conquistou o Globo de Ouro e SAG na mesma categoria. Dentre os indicados, os possíveis concorrentes que podem surpreender estão entre, Jeff Bridges com "A qualquer custo" e, Michael Shannon por "Animais Noturnos". Os dois restantes na disputa são: Lucas Hedges por "Manchester à beira-mar" e Dev Patel em "Lion: Uma jornada para casa".  Em atrizes coadjuvantes, tudo leva à crer que, Viola Davis por "Um limite entre nós", seja a escolhida da noite, afinal, já logrou no Globo de Ouro e SAG na mesma classe. As demais na disputa são: Michele Williams por "Manchester à beira-mar", Nicole Kidman de "Lion: Uma jornada para casa", Octavia Spencer com "Estrelas além do tempo" e, Naomi Harris "Moonlight: Sob a luz do luar".

Como Melhor Filme Estrangeiro, a disputa acirrada deve ficar entre "O apartamento" de Asghar Farhadi, representante do Irã - não terá participação do diretor ou elenco, como forma de protesto as leis anti imigratórias de Trump - e, o longa-metragem alemão "Toni Erdmann", da diretora Maren Ade e, favorito do CineBlissEK. As outras três indicações, vem da Holanda com "Tanna" de Bentley Dean e Martin Butler, da Suécia por "Um homem chamado Ove" do diretor Hannes Holm e, por último da Dinamarca, o filme "Terras de Minas", de Martin Zandvliet.

Para encerrar o breve levantamento do Oscar 2017, os indicados para Melhor Filme de Animação tem como candidatos, "Zootopia: Essa cidade é o bicho" de Byron Howard, Jared Bush e Rich Moore, ganhador do Globo de Ouro na mesma categoria, "Moana - Um mar de aventuras" de John Musker e Ron Clements, "A tartaruga vermelha" de Michael Dudok de Wit, "Kubo e as cordas mágicas" de Travis Knight e, "Minha vida de abobrinha" do diretor Claude Barras

Confira abaixo, os trailers dos longas-metragens indicados ao Oscar de Melhor Filme 2017: 

"La la Land: Cantando estações" (La la Land)
Direção: Damien Chazelle
Elenco: Ryan Gosling, Emma Stone, John Legend
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Canção Original, Melhor Design de Produção, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som. 
Leia mais sobre o filme em: La la Land: Cantando estações



"Manchester à beira-mar" (Manchester by the sea)
Direção: Kenneth Lonergan
Elenco: Casey Affeck, Michelle Williams, Kyle Chandler, Lucas Hedges
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Original. 
Leia mais sobre o filme em: Manchester à beira-mar



"Moonlight: Sob a luz do luar" (Moonlight)
Direção: Barry Jenkins
Elenco: Mahearshala Ali, Naomi Harris, Alex R. Hibert, Jharrel Jerome, Andre Holland, Trevante Rhodes
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, 
Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição.



"A qualquer custo" (Hell or high water)
Direção: David Mackenzie
Elenco: Ben Foster, Chris Pine, Jeff Bridges, Buck Taylor
Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Original, Melhor Edição. 


"A chegada" (Arrival)
Direção: Dennis Villeneuve
Elenco: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Design de Produção, Melhor Edição, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som. 
Leia mais sobre o filme em: A chegada


"Até o último homem" (Hacksaw Ridge)
Direção: Mel Gibson
Elenco: Andrew Garfield, Vincent Vaughn, Sam Worthington
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Edição, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som


"Um limite entre nós" (Fences)
Direção: Denzel Washington
Elenco:  Denzel Washington, Viola Davis, 
Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado



"Estrelas além do tempo" (Hidden Figures)
Direção:  Theodore Melfi
Elenco: Octavia Spencer, Taraji P. Henson, Janelle Monáe, Kevin Costern, Mahearshala Ali, Jim Parsons, Kristen Dunst
Indicações: Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado.
Leia mais sobre o filme em: Estrelas além do tempo



"Lion: Uma jornada para casa" (Lion)
Direção: Garth Davis
Elenco: Dev Patel, Nicole Kidman, Rooney Mara
Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Em "Toni Erdmann" o humor é o ingrediente essencial para lidar com as relações humanas


As relações humanas costumam ser nutridas por demonstrações de amor, generosidade, alegria, raiva, conflitos, ódio, entre tantas outras emoções. Geralmente, quando essas relações estão no âmbito familiar, esses sentimentos permitem-se manifestar com maior intensidade. No caso específico do longa-metragem alemão, "Toni Erdmann" (2016), da diretora Maren Ade (Todos os outros), o vínculo afetivo corresponde ao pai Winfried (Peter Simonischek) e sua filha Ines (Sandra Hüller).

Essa relação entre pai e filha - sem um motivo particular, é fundamentada pela apatia e distanciamento, por parte de Ines. Winfried, incomodado com o comportamento da filha, decidi reverter a situação e buscar uma aproximação. Após perder seu cachorro de estimação, tira férias e visita Ines em Bucareste. Em seu universo de mulher de negócios, Ines, ora está no trabalho, ocupada ora no celular. O seu entorno é um mundo corporativo, sustentado por laços desumanos e de frieza. Para surpresa de Ines, essa figura paterna simpática, tem outros planos para desfrutar de momentos ao lado da filha. 

Winfried, evoca o seu lado humano através da originalidade e do humor, para criar um personagem chamado, Toni Erdmann. Esse senhor com direito à peruca e dentadura - um tanto quanto escrachado, ora se passa por coach ora por embaixador, para aproximar-se de sua primogênita. Toni Erdmann, utiliza-se dos artifícios do humor e da imaginação, para surpreender Ines e seus amigos, em diversas ocasiões. Em cada uma delas, é um deleite de diversão e demonstração afetiva, para o que realmente importa na vida - às relações.

O filme, com um roteiro consistente e sensível, repercuti de maneira sublime essa busca humana por querer estar próximo das pessoas que se amam. Não é à toa, que a história alemã terá uma versão americana, com nada menos que Jack Nicholson, no papel principal.

Em total sintonia com a narrativa, tem-se a fotografia com sua paleta de cores frias e gélidas, assim como, o silêncio em várias cenas, como elementos de manifestação dessa relação, pautada pelo âmago do vazio. Toni Erdmann surge num momento oportuno para a atual sociedade, ao demonstrar que o humor pode resgatar diversos corações gelados de amor. Vale lembrar que o filme, está concorrendo ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
CineBlissEK



Ficha técnica: 

Toni Erdmann (Toni Erdmann)
2016, Alemanha
Direção: Maren Ade
Roteiro: Maren Ade
Produção:  Janine Jackowski, Jonas Dornbach, Michel Merkt, Sava Lolov
Fotografia: Patrick Orth
Elenco: Peter Simonischeck, Sandra Huller, Radu Banzuru,