quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Balanço do CineBliss no Festival do Rio 2017


CineBliss esteve presente mais um ano no Festival do Rio, com um total de 23 filmes vistos durante os 10 dias de maratona. Segue abaixo a lista com os títulos e, em destaque estão os 10 melhores. 
Em breve comentários dos filmes aqui no blog.


1. "Em pedaços" - Fatih Akin (Alemanha)
2. "120 batimentos por minuto" - Robin Campillo (França)
3. "Terra Selvagem" - Taylor Sheridan (Estados Unidos)
4. "Detroit em rebelião" - Kathryn Bigelow (Estados Unidos)
5. "A Ciambra" - Jonas Carpignano (Itália/ Estados Unidos/ França/ Alemanha)
6. "La vita in comune" - Edoardo Winspeare (Itália)
7. "Aos teus olhos" - Carolina Jabor (Brasil)
8. "O estado das coisas" - Mike White (Estados Unidos)
9. "Ó céu de Tóquio à noite é sempre mais denso tom de azul" - Yuya Ishii (Japão)
10. "Alanis" - Anahí Berneri (Argentina)
11.  "Rastros" - Agnieska Holland (Polônia/Alemanha/República Tcheca/ Suécia/ Eslováquia) 
12. "Marjorie Prime" - Michael Almereyda (Estados Unidos)
13. "A câmera de Claire" - Hong Sang-soo (França/ Coreia do Sul)
14. "O nome da morte" - Henrique Goldman (Brasil)
15. "A Aliança" - Rahmatou Keita (Niger)
16. "Doentes de amor" - Michael Showalter (Estados Unidos)
17. "Tschick" - Fatih Akin (Alemanha)
18. "Uma criatura gentil" - Sergei Loznitsa (França)
19. "Atrás há relâmpagos" - Julio Hernández Cordón (Costa Rica/ México)
20. "Based on a true story" - Roman Polanski (França/ Bélgica)
21. "Zama" - Lucrecia Martel (Brasil/ Argentina/ Espanha/ Portugal/ México)
22. "Tulipani: Amor, honra e uma bicicleta" - Mike van Diem (Holanda/ Itália/ Canadá) 
23. "Depois daquela montanha" - Hany Abu-Assad (Estados Unidos) 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Começa hoje o Festival do Rio 2017


O Festival do Rio chega hoje à sua 19ª edição, com mais de 250 títulos de várias partes do mundo, distribuídos em diversas salas de cinema na cidade. A noite de gala da abertura ocorrerá está noite, no CCLSR - Cine Odeon NET Claro, com o filme "A forma da água", do cineasta e escritor mexicano Guillermo del Toro, vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza 2017. 

O blog CineBliss estará cobrindo esses 11 dias de maratona cinematográfica através do Instagram @macknight_travel_movie e também do Twitter @cineblissek. Não deixem de conferir as novidades do Festival do Rio e de comparecer às sessões. Para detalhes da programação e maiores informações acesse: Festival do Rio .

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A refilmagem de "O estranho que nós amamos" salienta o lado das mulheres


Era uma vez uma menina nascida em berço cinematográfico, que aceitara o chamado de fazer parte de um time seleto de mulheres diretoras de Hollywood. Filha de Francis Ford Coppola e Eleanor Coppola, Sofia Coppola, ao adentrar nesse universo um tanto quanto machista, logrou em 2003 o Oscar de Melhor Roteiro Original por "Encontros e desencontros". Desde então, a carreira da cineasta deslanchou de vento em pompa, atingindo a consagração esse ano, com a conquista da Palma de Ouro de Melhor Direção, no Festival de Cannes, com a refilmagem de "O estranho que nós amamos" (2017).  

O longa-metragem teve sua primeira versão dirigido por Don Siegel, em 1971, com Clint Eastwood como o protagonista masculino, cabo John McBurney. No remake, a interpretação do mesmo coube à Colin Farrell, que invoca a característica do homem viril exigido pelo personagem. Sob os cuidados de Sofia, a narrativa centrada no sul dos Estados Unidos, em plena Guerra Civil do século XIX, permeia sob a órbita do temido e desconhecido universo feminino. Se em 1971 o foco da trama era o soldado, em 2017, a atenção direciona-se para o lado das mulheres.

Logo na primeira cena, o espectador é conduzido para dentro de um bosque envolto de névoa através do caminhar da jovem Amy (Oona Laurence), com sua cesta à procura de cogumelos. Inevitavelmente lembra um refinado conto de fadas, no exato momento em que a mocinha 'ingênua', adentra para o obscurantismo do mundo desconhecido. No caso do filme, a floresta revela o soldado ianque John McBurney deitado em uma árvore, com ferimento na perna. Como uma boa cristã, Amy ajuda John a se locomover para chegar até o internato da senhora Martha Farnsworth (Nicole Kidman).

No casarão de luxo e conservado do internato, encontram-se outras estudantes Jane (Angourie Rice), Alicia (Elle Faming), Marie (Addison Riecke), Emily (Emma Howard) e, a vulnerável professora Edwina (Kirsten Dunst). Em terra confederada, John McBurney num primeiro momento, obtém um arredio abrigo para recuperar a perna ferida. No entanto, sua chegada transforma a rotina de todas as mulheres, afetando suas maneiras de se vestirem e se comportarem, despertando desejos até então enclausurados.

O roteiro assinado por Sofia Coppola e Thomas Cullinan, constrói-se num ritmo eloquente à tensão erótica que se desenvolve na maior parte do filme no espaço privado do casarão. O abrir e fechar de portas é algo notório e proposital. A área externa apresenta-se como uma bela passagem de tempo e, também como respiro para toda inquietude que aflora nas personagens.

Novamente Sofia introduz a questão da pessoa deslocada do ambiente em que se encontra. A cineasta já havia trabalhado esse tema em seus filmes anteriores e, no atual, esbarra nos papéis de Edwina e John McBurney. A fotografia refinada de Philippe Le Sourd esboça o ambiente interno, à noite, com luzes de vela e uma certa escuridão. Por outro lado, a parte externa carrega uma vivacidade das luzes do sol durante o dia e, um certo mistério ao cair da noite, com destaque para neblina.

Todo esse invólucro cinematográfico criado por Sofia Coppola a partir de um remake, demonstra o quão vasto é o universo feminino, com milhares de histórias ansiosas para serem retratadas no cinema. Todavia, a forma de contar essas narrativas almeja por novo jeito, ou melhor, uma transgressão com o sistema patriarcal de representação da mulher, como visto em "O estranho que nós amamos"
CineBlissEK



Ficha técnica: 

O estranho que nós amamos (The Beguiled)
Estados Unidos, 2017
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola, Thomas Cullinan
Produção:  Sofia Coppola, Youree Henley
Fotografia: Philippe Le Sourd
Elenco: Nicole Kidman,  Kirsten Dunst, Colin Farrell, Elle Fanning

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

"Corra!" provoca reflexões sobre diferenças raciais embasado no gênero terror


Visitar pela primeira vez os pais da namorada ou vice-versa, não é lá uma das coisas mais tranquilas para se fazer, para alguns até bate uma certa insegurança e receio. Adiciona-se nesse cenário o conflito das diferenças raciais nos Estados Unidos, numa era pós Obama e atual governo Trump. Basicamente, essa é a premissa de "Corra!" (2017), do diretor e roteirista Jordan Peele, que utiliza do gênero terror para discutir o caráter humano diante do âmago das questões raciais. 

A narrativa provocadora constrói-se no fotógrafo negro, Chris (Daniel Kaluuya), quando viaja junto da namorada Rose Armitage (Allison Williams), para conhecer os pais dela. A recepção na casa dos familiares acontece de modo um tanto quanto empolgante demais, sem vestígio para comportamento racista. O plano aberto na chegada do casal na casa, cumprimentado os pais, aparenta uma normalidade, a não ser pelos dois empregados negros, com algumas atitudes estranhas e uma certa alienação nos olhares. No desenrolar da noite, toda a tranquilidade de outrora, começa a ser rodeado de mistério e suspense. Chris sem querer, vê-se sentado numa poltrona conversando com a mãe de Rose, uma psicoterapêutica que através da hipnose "cura" certos vícios das pessoas.

O roteiro construído de forma criativo e apavorante, elucida diversas questões ainda latentes sobre o racismo nos Estados Unidos. Do início ao fim, o espectador fica preso na poltrona para acompanhar o desenrolar da narrativa, como que hipnotizado. A transformação dos personagens também é algo relevante, o modo como pessoas aparentemente normais revelam o caráter humano, alicerçados em convicções de superioridade e dominação.

Todo ar de mistério e pânico é alavancado com a assustadora trilha sonora que evoca nos momentos mais tensos da narrativa, causando uma tensão psicológica. As imagens do mergulho no inconsciente de Chris, remetem à uma tela de televisão, algo marcante na vida do personagem e sufocante para o espectador. As ferramentas utilizadas por Jordan Peele para expressar os conflitos de raça é um tanto quanto perturbador, provocador e, ao mesmo tempo, necessário nos dias atuais.
CineBliss





Ficha técnica: 

Corra! (Get out)
Estados Unidos, 2017
Direção: Jordan Peele
Roteiro: Jordan Peele
Produção: Edward H. Hamm Jr., Jason Blum, Jordan Peele, Sean McKittrick
Fotografia: Toby Oliver
Elenco: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Catherine Keener, Betty Gabriel, Lirel Howery

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Com recortes pulsantes de emoções "De canção em canção" expõe as feridas das relações


Triângulos amorosos no cinema é algo recorrente, vez ou outra surgem histórias com esses tipos de conflitos. Todavia, o que o consagrado cineasta americano Terrence Malick (A árvore da vida; Cinzas do paraíso) proporciona em seu novo filme "De canção em canção" (2017), é algo muito além disso, é a crua e dolorida situação de pessoas que machucam umas as outras, por simplesmente serem indivíduos com fraquezas, cercadas de vazio. 

Num ritmo meio atordoante e fragmentado, tem-se o casal BV (Ryan Gosling) e Faye (Rooney Mara) envoltos no cenário musical de Austin, no Texas. Ao lado deles, encontra-se o produtor Cook (Michael Fassbender), com seu jeito sedutor, energético e cínico, que atrai Faye para seus braços. O mesmo acontece com a garçonete Rhonda (Natalie Portman). Esse invólucro de relações e sentimentos pulsantes, transbordam de um modo febril em cada um dos envolvidos.
 
As narrações em off presente em todo desenrolar da trama, aparentam ser suspiros no ouvido do espectador. Essas falas repletas de emoções segmentadas, proporcionam uma maior identificação do público para com os protagonistas, tornando-os íntimos dos conflitos internos destes personagens. Vale descartar as participações de Iggy Pop- como ele mesmo-, Cate Blanchett, Patti Smith e Val Kilmer.

A câmera em várias cenas procura focar no toque, seja na interação entre corpos ou em coisas. Ao mesmo tempo, proporciona ângulos singulares e requintados nas cenas dos festivais de música, ou nas imagens da natureza. A fotografia com tonalidade clara e natural diversifica com a utilização de luzes de neon oferecendo um deleite visual. 

O filme não atinge todo o estágio de excelência como os anteriores de Terrence Malick citados acima, porém não deixa de ser um belo vislumbre cinematográfico das relações afetivas pautadas pelo âmago do vazio.
CineBlissEK




Ficha técnica: 

De canção em canção (Song to song)
2017, Estados Unidos
Direção: Terrence Malick 
Roteiro: Terrence Malick 
Produção: Ken Kao, Sarah Green
Fotografia: Emmanuel Lubezki
Elenco: Michal Fassbender, Ryan Gosling, Rooney Mara, Natalie Portman, Cate Blanchett, Val Kilmer

terça-feira, 15 de agosto de 2017

"Okja" sensibiliza através da sátira o consumo desenfreado de carnes


O Festival de Cannes esse ano, esteve imerso em discussões envolvendo o lançamento de filmes diretamente via streaming (Netflix) sem percorrer o caminho habitual de distribuição. Isso ocorreu, devido ao longa-metragem que concorreu à Palma de Ouro, "Okja" (2017), do diretor Bong Joon-ho (Expresso do amanhã; O hospedeiro). O longa-metragem original da Netflix, teve sua estreia no final do mês de junho, para todos os assinantes do canal, sem dar o ar da graça em qualquer sala de cinema. Esse novo formato de distribuição de filmes, vem gerando inúmeros debates no meio cinematográfico. 

"Okja", é o nome do porco criado em laboratório pela empresa Mirando, cujo nos primeiros meses de vida, é enviado para um produtor rural para desenvolver-se no meio natural. Assim como Okja, têm-se mais dezenas de porcos com destinos em diferentes partes do mundo. O motivo deve-se ao plano mirabolante da CEO, Lucy Mirando (Tilda Swinton), de sintetizar ciência com a natureza na criação de animais destinados ao abate. Para popularizar a ideia, Lucy elabora um concurso para eleger o maior porco no decorrer de dez anos. No fim desse período, o ganhador será apresentado por Johnny Wilcox (Jake Gyllenhaal), um famoso aventureiro da televisão.

Longe de todo burburinho, Okja vive nesses dez anos, tranquilamente na natureza ao lado de sua amiga humana, Mija (Ahn Seo-Hyun). Ao chegar o momento da partida do porco gigante para o concurso da companhia, a menina dominada pelo amor ao animal, luta contra todos para conseguir salvá-lo. Sem saber ao certo para onde ir, ou o que fazer, Mija, atravessa diversas provações para poupar o destino fatal de Okja. Ela encontra aliados ao lado do grupo de defesa dos animais, compostos por Jay (Paul Dano), Red (Lily Collins), K (Steven Yeun), Blond (Daniel Henshall) e Silver (Deron Bostisk)

Bong Joon-ho e Jon Ronson responsáveis pelo roteiro, constroem a narrativa sob dois viés, de um lado a amizade entre humanos e animais de um modo afetuoso, e do outro, burlesca ao retratar o universo corporativo e a sociedade em si. Também exploram didaticamente as diferenças do modo de vida da civilização versus a natureza. Como por exemplo, na forma de obter e preparar o alimento.

Vale destacar os personagens um tanto quanto bizarros de Lucy Mirando e Johnny Wilcox. A primeira, como a executiva psicopata evidenciando uma performance propositalmente artificial de Tilda Swinton, que está primorosa. Já o segundo, como representante do universo do entretenimento, apresenta o lado grotesco de todo o aparato publicitário do mercado capitalista.

Sem sombra de dúvida, o filme é um alarme sobre a produção desenfreada de carne animal para o consumo humano. Isso é algo gritante na cena dentro do frigorífico, com imagens de vários processos da produção. Essa sequencia, deixa de lado a ficção para dar espaço à denúncia documental. Ao lado disso, a versão animal do próprio homem com sua sede de lucratividade. "Okja", arranca do coração humano a sensibilidade para refletir a relação com os animais, de um modo satírico e comovente. 
CineBlissEK



Ficha técnica: 

Okja (Okja)
2017, Estados Unidos/ Coreia do Sul
Direção: Bong Joon-ho
Roteiro: Bong Joon-ho; Jon Ronson
Produção: Brad Pitt, Dooho Choi, Lewis Taewan Kim, Ted Sarandos
Elenco: Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal, Ahn Seo-Hyun, Paul Dano, Lily Collins, Steven Yeun,
Daniel Henshall, Deron Bostisk

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Com uma imaginação sem limite "Poesia sem fim" desperta o lado criativo da alma


Entrar no escurinho do cinema para conferir o novo filme do diretor chileno Alejandro Jodorowsky, "Poesia sem fim" (2016), tem-se a necessidade de abrir o coração, desprender-se de qualquer tipo de amarra racional e, simplesmente, permitir-se ser guiado na jornada onírica do jovem futuro poeta Alejandro (Adan Jodorowsky). A narrativa é baseado na vida do próprio diretor que utiliza da fantasia, do exagero e teatral, para recriar suas memórias.

Ambientando em Santiago do Chile, no período de 1940, Alejandro contraria as expectativas dos pais em ser um médico para seguir o sonho de tornar-se um poeta. Com uma das cenas mais divertidas e simbólicas, Alejandro corta laços com os familiares, golpeando com um machado a árvore da casa da avó, dizendo "família de merda". Esse evento é apenas a "entrada", para as outras tantas situações escrachadas vivenciadas pelo jovem. Em cada uma destas cenas, observa-se o trabalho primoroso de toda equipe para apresentar um vislumbre visual e poético. 

Alejandro junta-se a outros artistas para cultivar seu dom. Saí em busca de sua musa inspiradora no Café Iris, local com uma decoração singular, cercado de pessoas em estado de sonolência. Ali, depara-se com a extravagante poeta Stella Diaz (Pamela Flores), uma mulher repleta de peculiaridades com quem desenvolve um caso amoroso. Tem a oportunidade de conhecer o famoso poeta Nicanor Parra e tornar-se amigo de Enrique Lihn.

Com um colorido de encher os olhos de vida, a fotografia transporta o espectador para um universo onde não há fronteiras, apenas a fluidez da imaginação. Concomitantemente, o cenário alegórico proporciona ainda mais energia para esse mergulho poético, ao lado de personagens um tanto quanto circenses. Todo esse invólucro relembra algumas obras do italiano Federico Fellini. 

Vale destacar a presença do diretor como ele mesmo em alguns momentos da narrativa, sendo a consciência do jovem Alejandro com conselhos sobre a jornada da vida. "Poesia sem fim", é o segundo filme do montante de cinco estipulados por Alejandro Jodorowsky para transportar ao cinema suas memórias. O primeiro deles foi "A dança da realidade", de 2013. Sem sombra de dúvida, fica a expectativa do que a imaginação desse poeta, sonhador e cineasta, pode presentear o público nos próximos três filmes. 
CineBlissEK





Ficha técnica: 

Poesia sem fim (Poesía sin fin)
Chile/França, 2016
Direção: Alejandro Jodorowsky 
Roteiro: Alejandro Jodorowsky 
Produção: Alejandro Jodorowsky 
Fotografia: Christopher Doyle
Elenco: Adan Jodorowsky, Brontis Jodorowsky, Carolyn Carlson, Pamela Flores, Leandro Taub,