segunda-feira, 19 de junho de 2017

Pedido de desculpas do CineBlissEK pela ausência nos últimos três meses


Queridos(as) leitores e seguidores, o blog CineBlissEK vem por meio deste, pedir sinceras desculpas pela ausência nos últimos três meses. A autora que vos escreve, esteve envolta em alguns projetos durante esses meses que demandaram tempo e atenção. Dessa forma, a produção de conteúdo foi afetada, mas a jornada de filmes vistos continuou no mesmo ritmo. 

Também neste período, a autora teve a oportunidade de realizar uma viagem por um longo tempo, que se encerrou na capital do cinema, Los Angeles. Durante a estadia em Hollywood, a cinéfila que vos escreve, visitou dois estúdios: a Warner Bros e a Paramount Studios. Essas visitas, foram sublimes e impactantes para continuar na trajetória do universo cinematográfico. Uma experiência única para esta amante de cinema. 

Abaixo, publico algumas fotos desse momento mágico! E, destaco que em breve, o CineBlissEK volta com novos conteúdos e outras novidades! É só aguardar! 
Beijo grande a todos(as) cinéfilos de plantão!









quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

As apostas do CineBlissEK para 89ª cerimônia do Oscar


A cerimônia mais prestigiado do cinema mundial, Oscar 2017, ocorre no próximo domingo (26), em Los Angeles. Jimmy Kimmel, será pela primeira vez o apresentador do evento em um momento complexo da política americana, com o inicio do mandato de Donald Trump. O presidente,  recentemente tentou barrar a entrada de imigrantes de sete países - na maioria muçulmanos, e, insiste na construção do muro entre as fronteiras do Estados Unidos e México. A expectativa de discursos inflamados nunca esteve tão alta. 

No quesito arte cinematográfica, o filme "La la Land: Cantando estações" conta com maior número de indicações, somando 14 ao total. O longa-metragem, tem grandes chances de faturar como Melhor Filme, já que conquistou o Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia ou Musical. Os possíveis concorrentes dentre os oito restantes na disputa, estão "Moonlight: Sob a luz do luar" que logrou o Globo de Ouro de Melhor Filme Drama, ou, "Estrelas além do tempo" que conquistou o SAG de Melhor Elenco 2017. Os outros filmes na competição são: "Manchester à beira-mar", "A qualquer custo", "A chegada", "Até o último homem", "Um limite entre nós" e "Lion: Uma jornada para casa". A torcida do CineBlissEK, vai para o polêmico e urgente drama, "Moonlight: Sob a luz do luar".

O jovem diretor de 32 anos, Damien Chazalle de "La la land: Cantando estações", tem grandes chances de faturar o prêmio de Melhor Diretor, pois logrou o Globo de Ouro na mesma categoria, mas está numa disputa acirrada com Barry Jenkins por "Moonlight: Sob a luz do luar". Os demais diretores são: Mel Gibson com "Até o último homem", Kenneth Lonergan de "Manchester à beira-mar" e Dennis Villeneuve por "A chegada". 

As interpretações estão em um nível bem equilibrado, uma vez que Casey Affeck de "Manchester à beira-mar" logrou o Globo de Outro de Melhor Ator Drama, Ryan Gosling por "La la land: Cantando estações" faturou o Globo de Ouro de Melhor Ator Comédia ou Musical e,  Denzel Washington com "Um limite entre nós" conquistou o SAG de Melhor Ator. A torcida do CineBlissEK, é para o ator dinamarquês-americano Viggo Mortensen, com "Capitão Fantástico". Para completar a lista dos indicados está, Andrew Garfield por "Até o último homem". 

Na categoria feminina, há grandes chances de Emma Stone de "La la land: Cantando estações" faturar como Melhor Atriz, pois já obteve o Globo de Ouro de Melhor Atriz Comédia ou Musical e, o SAG de Melhor Atriz. Sua concorrente de peso, é a francesa Isabelle Huppert por "Elle", que merecidamente levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz Drama e, tem o maior apoio do blog CineBlissEK. As demais atrizes são: Natalie Portman com "Jackie", Meryl Streep por "Florence: Quem é essa mulher?" e Ruth Negga de "Loving". 

Para completar a lista de performances, o ator coadjuvante Mahearshala Ali de "Moolinght: Sob a luz do luar", provavelmente leve para casa o Oscar de Melhor Ator, já que conquistou o Globo de Ouro e SAG na mesma categoria. Dentre os indicados, os possíveis concorrentes que podem surpreender estão entre, Jeff Bridges com "A qualquer custo" e, Michael Shannon por "Animais Noturnos". Os dois restantes na disputa são: Lucas Hedges por "Manchester à beira-mar" e Dev Patel em "Lion: Uma jornada para casa".  Em atrizes coadjuvantes, tudo leva à crer que, Viola Davis por "Um limite entre nós", seja a escolhida da noite, afinal, já logrou no Globo de Ouro e SAG na mesma classe. As demais na disputa são: Michele Williams por "Manchester à beira-mar", Nicole Kidman de "Lion: Uma jornada para casa", Octavia Spencer com "Estrelas além do tempo" e, Naomi Harris "Moonlight: Sob a luz do luar".

Como Melhor Filme Estrangeiro, a disputa acirrada deve ficar entre "O apartamento" de Asghar Farhadi, representante do Irã - não terá participação do diretor ou elenco, como forma de protesto as leis anti imigratórias de Trump - e, o longa-metragem alemão "Toni Erdmann", da diretora Maren Ade e, favorito do CineBlissEK. As outras três indicações, vem da Holanda com "Tanna" de Bentley Dean e Martin Butler, da Suécia por "Um homem chamado Ove" do diretor Hannes Holm e, por último da Dinamarca, o filme "Terras de Minas", de Martin Zandvliet.

Para encerrar o breve levantamento do Oscar 2017, os indicados para Melhor Filme de Animação tem como candidatos, "Zootopia: Essa cidade é o bicho" de Byron Howard, Jared Bush e Rich Moore, ganhador do Globo de Ouro na mesma categoria, "Moana - Um mar de aventuras" de John Musker e Ron Clements, "A tartaruga vermelha" de Michael Dudok de Wit, "Kubo e as cordas mágicas" de Travis Knight e, "Minha vida de abobrinha" do diretor Claude Barras

Confira abaixo, os trailers dos longas-metragens indicados ao Oscar de Melhor Filme 2017: 

"La la Land: Cantando estações" (La la Land)
Direção: Damien Chazelle
Elenco: Ryan Gosling, Emma Stone, John Legend
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Canção Original, Melhor Design de Produção, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som. 
Leia mais sobre o filme em: La la Land: Cantando estações



"Manchester à beira-mar" (Manchester by the sea)
Direção: Kenneth Lonergan
Elenco: Casey Affeck, Michelle Williams, Kyle Chandler, Lucas Hedges
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Original. 
Leia mais sobre o filme em: Manchester à beira-mar



"Moonlight: Sob a luz do luar" (Moonlight)
Direção: Barry Jenkins
Elenco: Mahearshala Ali, Naomi Harris, Alex R. Hibert, Jharrel Jerome, Andre Holland, Trevante Rhodes
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, 
Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição.



"A qualquer custo" (Hell or high water)
Direção: David Mackenzie
Elenco: Ben Foster, Chris Pine, Jeff Bridges, Buck Taylor
Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Original, Melhor Edição. 


"A chegada" (Arrival)
Direção: Dennis Villeneuve
Elenco: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Design de Produção, Melhor Edição, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som. 
Leia mais sobre o filme em: A chegada


"Até o último homem" (Hacksaw Ridge)
Direção: Mel Gibson
Elenco: Andrew Garfield, Vincent Vaughn, Sam Worthington
Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Edição, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som


"Um limite entre nós" (Fences)
Direção: Denzel Washington
Elenco:  Denzel Washington, Viola Davis, 
Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado



"Estrelas além do tempo" (Hidden Figures)
Direção:  Theodore Melfi
Elenco: Octavia Spencer, Taraji P. Henson, Janelle Monáe, Kevin Costern, Mahearshala Ali, Jim Parsons, Kristen Dunst
Indicações: Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado.
Leia mais sobre o filme em: Estrelas além do tempo



"Lion: Uma jornada para casa" (Lion)
Direção: Garth Davis
Elenco: Dev Patel, Nicole Kidman, Rooney Mara
Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Em "Toni Erdmann" o humor é o ingrediente essencial para lidar com as relações humanas


As relações humanas costumam ser nutridas por demonstrações de amor, generosidade, alegria, raiva, conflitos, ódio, entre tantas outras emoções. Geralmente, quando essas relações estão no âmbito familiar, esses sentimentos permitem-se manifestar com maior intensidade. No caso específico do longa-metragem alemão, "Toni Erdmann" (2016), da diretora Maren Ade (Todos os outros), o vínculo afetivo corresponde ao pai Winfried (Peter Simonischek) e sua filha Ines (Sandra Hüller).

Essa relação entre pai e filha - sem um motivo particular, é fundamentada pela apatia e distanciamento, por parte de Ines. Winfried, incomodado com o comportamento da filha, decidi reverter a situação e buscar uma aproximação. Após perder seu cachorro de estimação, tira férias e visita Ines em Bucareste. Em seu universo de mulher de negócios, Ines, ora está no trabalho, ocupada ora no celular. O seu entorno é um mundo corporativo, sustentado por laços desumanos e de frieza. Para surpresa de Ines, essa figura paterna simpática, tem outros planos para desfrutar de momentos ao lado da filha. 

Winfried, evoca o seu lado humano através da originalidade e do humor, para criar um personagem chamado, Toni Erdmann. Esse senhor com direito à peruca e dentadura - um tanto quanto escrachado, ora se passa por coach ora por embaixador, para aproximar-se de sua primogênita. Toni Erdmann, utiliza-se dos artifícios do humor e da imaginação, para surpreender Ines e seus amigos, em diversas ocasiões. Em cada uma delas, é um deleite de diversão e demonstração afetiva, para o que realmente importa na vida - às relações.

O filme, com um roteiro consistente e sensível, repercuti de maneira sublime essa busca humana por querer estar próximo das pessoas que se amam. Não é à toa, que a história alemã terá uma versão americana, com nada menos que Jack Nicholson, no papel principal.

Em total sintonia com a narrativa, tem-se a fotografia com sua paleta de cores frias e gélidas, assim como, o silêncio em várias cenas, como elementos de manifestação dessa relação, pautada pelo âmago do vazio. Toni Erdmann surge num momento oportuno para a atual sociedade, ao demonstrar que o humor pode resgatar diversos corações gelados de amor. Vale lembrar que o filme, está concorrendo ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
CineBlissEK



Ficha técnica: 

Toni Erdmann (Toni Erdmann)
2016, Alemanha
Direção: Maren Ade
Roteiro: Maren Ade
Produção:  Janine Jackowski, Jonas Dornbach, Michel Merkt, Sava Lolov
Fotografia: Patrick Orth
Elenco: Peter Simonischeck, Sandra Huller, Radu Banzuru, 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

"Estrelas além do tempo" retrata personalidades escondidas na NASA durante a corrida espacial


Baseado em fatos reais, o filme "Estrelas além do tempo" (2016), do diretor Theodore Melfi (Um santo vizinho), ganhador do SAG 2017 de Melhor Elenco e indicado em 3 categorias ao Oscar -  Melhor Filme, Roteiro Adaptado e Atriz Coadjuvante para Octavia Spencer - , retrata uma história até então desconhecida, de três mulheres negras que foram fundamentais na NASA. No burburinho da corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética, com as revoluções e transformações da década de 1960 em pleno vapor, essas três calculistas Dorothy Vaughn (Octavia Spencer), Mary Jackson (Janelle Monáe) e Katherine Johnson (Taraji P. Henson), buscaram exercer suas habilidades, em um ambiente de trabalho de predominância masculina e branca, no sul dos Estados Unidos.

Na trama real, Dorothy lidera um grupo de mulheres negras dentro da NASA, que ficam escondidas em um escritório escuro, analisando dados. Dentre elas, destacam-se Mary e Katherine, a primeira possuí a mente de uma engenheira, mas devido à sua cor, não pode frequentar o curso de formação. Já a segunda, dispõe de um habilidade extraordinária com números e equações matemáticas. Tamanha sua capacidade, que Katherine obtém o trabalho temporário de fazer parte do time de profissionais - homens brancos -, liderados por Al Harrison (Kevin Costern), para lançar o astronauta John Glenn em órbita.

O filme expõe a trajetória de superação dessas três mulheres, em meio à dupla discriminação - gênero e raça. Cada uma delas, buscam provar suas potencialidades no ambiente de trabalho e, cuidar da casa e da família. A cada atitude de preconceito ao qual são submetidas, mesmo com olhares cabisbaixos e vozes suaves, elas tentam ser ouvidas. Perante o sonho de lançar um homem no espaço, ser a primeira nação a conseguir tal feito, Dorothy, Mary e Katherine, também querem quebrar padrões e serem as primeiras em algo na sociedade americana. 

Os fatos reais - com imagens jornalísticas da época -, focada nas três jornadas, é realizado de um modo um tanto quanto romântico, sem aprofundar-se nas questões políticas da época envolvendo as lutas de direito aos negros. O papel de "suposto" herói, converte-se no personagem de Al Harrison, ao intervir na discriminação aos negros, dentro na NASA. Como fica evidente, em um de seus diálogos, ao destruir uma placa de banheiro com a inscrição "negros", dizendo: "Aqui na NASA, todos mijam a mesma cor". 

As três atrizes Octavia Spencer, Taraji P. Henson e Janelle Monáe, estão em perfeita sintonia em suas atuações, cada qual com suas peculiaridades. Destaque para a contagiante trilha sonora, assim como, a fotografia, que apresenta pequenos nuances de contraste de coloração, para os espaços privados dos negros e, os dos brancos.   Sem sombra de dúvida, o longa-metragem comove e conquista o coração de milhares de espectadores com essa história de luta e superação, pautada pela sutileza da delicadeza e perseverança.
CineBlissEK



Ficha técnica: 

Estrelas além do tempo (Hidden Figures)
2016, Estados Unidos
Direção: Theodore Melfi
Roteiro: Allison Schroeder, Margot Lee Shetterly, Theodore Melfi
Produção: Donna Gigliotti, Jenno Topping, Peter Chernin, Pharrell Williams, Theodore Melfi
Fotografia: Mandy Walker
Montador: Peter Teschner
Elenco: Octavia Spencer, Taraji P. Henson, Janelle Monáe, Kevin Costern, Kirsten Dunst, Jim Parsons, Mahershala Ali.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

"Manchester à beira-mar" expõe as diversas camadas de sofrimento de um homem sem ânimo para viver


A dor da culpa, o remorso ou o arrependimento, são algumas das emoções que podem bloquear a jornada de qualquer indivíduo, no caso específico de "Manchester à beira-mar" (2016), do diretor-roteirista Kenneth Lonergan (Conte Comigo), o personagem principal Lee Chandler (Casey Affleck), zelador de um prédio no subúrbio de Boston, encaixa-se perfeitamente nessa trajetória de falta de ânimo para seguir com a vida.

Lee, exerce suas atividades diárias de uma maneira apática, sem contato íntimo com pessoas e, em suas horas vagas desloca-se para um bar, onde, no final da noite procura, por violência com outros clientes. Ao ser informado sobre o falecimento do irmão, Joe Chandler (Kyle Chandler), Lee viaja para sua cidade natal - Manchester -, para cuidar dos preparativos do funeral. À partir desse luto, ele recebe a notícia de ser o tutor do sobrinho adolescente, Patrick (Lucas Hedges).

No contato direto com suas origens, Lee perambula pelo frio e gelo de sua cidade, num processo de negação à incumbência de cuidar do sobrinho. Ao mesmo tempo, o passado desse personagem emerge aos poucos, revelando seu relacionamento com a ex-mulher Randi (Michelle Willians), sua ligação com o irmão e,  os eventos traumáticos que lhe ocorreram.

Nessa jornada de busca pela redenção ou não, a trilha sonora é marcada por hinos religiosos e, uma paisagem gélida, dialogam com o vazio existente no coração de Lee. Qualquer vestígio de superação - seja autoajuda, perdão ou um novo objetivo de vida -, não é suficiente para cicatrizar as feridas do passado, que insistem em ficar expostas.  O modo como o ator Casey Affleck, expõe essas camadas de sofrimento é magnífico, como resultado, já logrou o Globo de Ouro de Melhor Ator e, está indicando no Oscar na mesma categoria e filme. Vale destacar também, a atriz Michelle Willians, que nas poucas cenas de aparição consegue ser soberba. Ela também concorre ao Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante.

O roteiro navega de uma maneira precisa nesse drama familiar repleto de figuras masculinas, que transbordam as emoções antes trancafiadas, tanto nos diálogos abarrotado de palavrões, quanto na violência, na raiva e na bebida alcoólica. A fotografia realista tem total domínio da luz, proporcionando o efeito de algo palpável e dolorido. Assim como, a montagem estruturada efetua o momento presente com resgate de lembranças do passado, de modo nítido. Um bom filme para refletir sobre como superar, ou não, as perdas e tropeços da vida. 
CineBlissEK



Ficha técnica: 

Manchester à beira-mar (Manchester by the sea)
2016, Estados Unidos
Direção: Kenneth Lonergan
Roteiro: Kenneth Lonergan
Produção: Chris Moore, Kevin J. Walsh, Kimberly Steward, Lauren Beck, Matt Damon
Fotografia: Jody Lee Lipes
Montador: Jennifer Lame
Elenco: Casey Affleck, Michelle Williams, Lucas Hedges, Kyle Chandler

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

"La La Land - Cantando estações" encanta os corações de apaixonados, sonhadores e crentes na magia do cinema


Com 14 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Roteiro Original, Diretor, Ator e Atriz, o filme "La la land: Cantando estações" (2016), do jovem diretor Damien Chazelle (Whiplash: Em busca da perfeição), é a sensação desse começo de 2017.  O longa metragem,  que já logrou 7 estatuetas do Globo de Ouro, nas categorias Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Atriz, todos no quesito Comédia/Musical, brinda o espectador com uma narrativa nostálgica dos musicais e do jazz, embalada pelo romance de dois sonhadores, Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling).

Nessa jornada de musicalidade, magia e determinação, o cenário é a ensolarada Los Angeles, com todos os atrativos turísticos, menos o tráfego. Justamente, no congestionamento de carros que o filme desperta com uma apresentação musical, indicando o ritmo e colorido da narrativa. Ali, encontra-se a aspirante à atriz Mia, que divide seu tempo entre audições e o trabalho como barista, num café localizado dentro de um grande estúdio. Sua trajetória, esbarra em encontros inesperadas com Sebastian, um pianista de jazz que sonha em ter seu próprio clube.

À partir da arte dos encontros ao acaso, Mia e Sebastian, dão asas ao amor romântico de duas liberdades entrelaçadas, sem deixarem de acreditar em seus respectivos sonhos individuais. Com o apoio um do outro, eles partem em busca de colocar em prática seus objetivos, mesmo que certas escolhas possam interferir na fluidez do relacionamento.

Com várias referências aos musicais do passado, incluindo "Cantando na chuva" (1952), "La la land: Cantando estações" embala com uma trilha sonora marcante, não só pelas canções criativas e românticas, que contagia os ouvidos de cada espectador, mas também, nos sons intensos e nas buzinas de carros, o que torna-se numa marca registrada de Sebastian. Para incrementar a parte técnica, a fotografia apresenta um visual estonteante com uma paleta de cores vivas e vibrantes, assim como, uma tonalidade mais escurecida para cenas nos clubes de jazz.

O casal de atores Emma Stone e Ryan Gosling - atuam juntos pela terceira vez -, estabelecem uma química afetiva de alto nível, cujo resultado é de extrema vivacidade para os personagens. Não é à toa, que ambos estão na corrida para o Oscar. Merecidamente, o filme segue para conquistar diversas estatuetas na premiação no dia 26 de fevereiro, assim como a consagração do diretor/roteirista Damien Chazelle - de apenas 32 anos de idade - , que através desse romance/musical/comédia, abre espaço para milhares de pessoas em todo mundo, nutrirem seus corações de fantasia, afetividade e coragem. Não deixem de conferir!
CineBlissEK



Ficha técnica: 

La la land: Cantando estações (La la land)
2016, Estados Unidos
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Damien Chazelle
Produção: Fred Berger, Gary Gilbert, Jordan Horowitz, Marc Platt
Fotografia: Linus Sandgren
Montador: Tom Cross
Elenco: Ryan Gosling, Emma Stone, J.K. Simmons, John Legend

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

"Eu, Daniel Blake" é um retrato de milhares de excluídos que lutam por suas dignidades


Atualmente, o Brasil vive um cenário de pessimismo em relação à política e economia, esse fator faz com que muitas pessoas cogitem deixar o país, em busca de melhores condições de vida. Todavia, essa crença de trabalho e oportunidades em um país desenvolvido, caí por água abaixo, em "Eu, Daniel Blake"(2016), do diretor Ken Loach (Ventos da Liberdade), ganhador da Palma de Ouro 2016. 

O longa metragem, tem como cenário a cidade de Newcastle - norte de Londres -, onde se encontra Daniel Blake (Dave Johns), carpinteiro com mais de 40 anos de experiência, que após sofrer um ataque cardíaco, é orientado pelos médicos à não voltar ao trabalho. Dessa forma, para se manter financeiramente, ele recorre ao governo para conseguir um auxílio. No entanto, para o recebimento dessa pensão, Daniel é submetido à uma avaliação física feita por um agente do governo, que contradiz a recomendação médica, afirmando que ele tem condições para trabalhar. 

Ao saber da decisão, Daniel, decide recorrer ao órgão governamental para explicar sua situação, porém, depara-se com um sistema burocrático, desumano, mecânico e falho. Essa mesma estrutura perversa, também atinge a jovem mãe solteira Katie (Hayley Squires) e seus dois filhos, quando são relocados pelo governo de Londres para Newcastle. Daniel e Katie, conhecem-se no local de atendimento do governo e a partir dali, iniciam uma profunda amizade, oferecendo suporte um ao outro.  

Nesse retrato amargo e real da vida de Daniel Blake, vê-se na figura desse personagem, um retrato de milhares de excluídos da sociedade, que lutam por suas dignidades. Em todo momento do filme, Daniel procura elucidar sua profissão e como lhe faz falta não ter mais condições físicas para trabalhar. Mesmo sem conhecimento do mundo digital e computadores, ele esforça-se para conseguir preencher a aplicação online requisita pelo governo, mas aparenta andar em ciclos sobre seu processo.

O roteiro provocador assinado por Paul Laverty, logra com uma narrativa complexa e triste, ao mesmo tempo sensível e humana. Concomitantemente, a fotografia clara proporciona um nível de realidade ainda maior para a história. Sem sombra de dúvida, o personagem de Daniel Blake é um herói para milhões de pessoas ao redor do mundo, que se identificam com sua jornada e com seus poderes humanos - generosidade, dignidade e determinação - para seguir adiante no labirinto desumano do sistema burocrático e capitalista.
CineBlissEK


Ficha Técnica: 

Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake)
2016, França/Reino Unido/ Irlanda do Norte
Direção: Ken Loach
Roteiro: Paul Laverty
Produção:  Rebecca O'Brien
Fotografia: Robbie Ryan
Montador: Jonathan Morris
Elenco: Dave Johns, Hayley Squires